Festemp reúne 4 mil em busca de oportunidades para empreender

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Espaço da Embrapa na “garagem empreendedora” – Foto: Gustavo Porpino/Embrapa

Foi-se o tempo em que agricultura não combinava com empreendedorismo de oportunidades, economia digital e nanotecnologia. Para as 4 mil pessoas que circularam no Festival de Empreendedorismo (Festemp), realizado na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no domingo (12), a conexão do mundo agro com a ciência de ponta ficou ainda mais evidente.

A Embrapa ocupou dois estandes na “Garagem empreendedora” e apresentou filmes comestíveis, fertilizantes de liberação controlada e algodão colorido. O evento, organizado pelo Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp, também serviu para discutir o futuro do empreendedorismo e apresentar oportunidades de engajamento para o setor privado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O público eclético, formado majoritariamente por consumidores urbanos, jovens empreendedores e empresários em busca de novas oportunidades de negócios, trocou informações com as equipes de transferência de tecnologia da Embrapa e pôde, literalmente, sentir e cheirar as tecnologias apresentadas.

Para Paulo Skaf, presidente da Fiesp, a presença da Embrapa enriqueceu o evento e aponta para uma tendência irreversível, a da “era da pesquisa, produção e consumidor estarem juntos”. Skaf comentou que as ideias implementadas pela pesquisa devem estar conectadas com necessidades dos consumidores e o processo industrial é um caminho para aproximar esses dois elos.

“Foi espetacular ver a Fiesp de portas abertas para um público de 4 mil pessoas falando de coisas boas para o Brasil: pesquisa, empreendedorismo e inovação. A Embrapa fez muito bem ao Brasil, merece o respeito de todos, e ficamos muito felizes de ter a presença da Embrapa no Festemp”, ressalta Skaf.

Relacionamento com públicos estratégicos

Para o pesquisador João Naime, chefe -geral da Embrapa Instrumentação Agropecuária, a participação da Embrapa no Festemp abre oportunidades de negócios com empreendedores e fortalece o relacionamento da instituição com públicos estratégicos para acelerar a transferência de tecnologias.

Naime participou do painel “Futuro do empreendedorismo no Brasil”, que reuniu representantes da academia, setor privado e instituições públicas. Durante o painel, o pesquisador destacou que automação, agricultura de precisão, sistemas integrados e nanotecnologia aplicada ao agro formam a agricultura inteligente e representam muitas oportunidades para o empreendedorismo.

O professor Marcelo Nakagawa, do Insper, ressaltou que o Brasil já está na quinta geração de educação empreendedora e o desafio é pensar em alternativas para quem não almeja empreender. “Existem muitos jovens com uma pegada boa, conhecimento e técnica para empreender. Há uma overdose de empreendedorismo, mas parte dele é empreendedorismo de subsistência com elevada taxa de mortalidade das empresas.”

O especialista salientou também que a tendência é a economia criativa avançar, empregos tradicionais permanecerem escassos e o desemprego permanecer elevado em função da substituição de parte da mão-de-obra por tecnologias.

Para um país ainda marcado por desigualdade extrema, o empreendedorismo é visto pelos especialistas como uma alternativa de inclusão social.

O painel sobre futuro do empreendedorismo contou também com a participação de Claudio Miranda, fundador do Instituto Favela da Paz e empreendedor social do Jardim Ângela, distrito da zona sul de São Paulo com o 94º mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano entre os 96 da região metropolitana da capital paulista.

Enquanto no bairro dos Jardins a expectativa de vida é de 79,4 anos, no Jardim Ângela não passa de 55,7 segundo o Mapa da Desigualdade 2017, da Rede Nossa São Paulo. Considerado em 1996 pelas Nações Unidas como o bairro mais violento do mundo, o Jardim Ângela aposta no empreendedorismo para gerar oportunidades de renda.

“O medo me fez crescer. Todo mundo tem algo para oferecer ao mundo e resolvi empreender para a vida. Começamos envolvendo a comunidade com a música e hoje já implementamos também um sistema de biogás. Tudo isso com cooperação. Nossa visão de futuro é que o mundo de competição não funciona mais”, salientou Claudio Miranda.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O setor público e privado discutiram no Festemp como engajar novos atores na Agenda 2030 e fizeram um panorama de como anda a integração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com a estratégia empresarial.

Na avaliação de Barbara Dunin, assessora da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, as empresas precisam inserir os ODS em seu “core business” e mensurar os impactos positivos e negativos de suas atuações antes de estabelecer metas alinhadas com os ODS.

“Por exemplo, se uma empresa atua no setor de celulose, naturalmente, deve procurar medir quais impactos a empresa gera no processo produtivo de celulose, estabelecer metas para mitigar impactos negativos e planejar o alcance dos objetivos. Por fim, deve comunicar com transparência de que forma está contribuindo para os ODS”, disse Barbara.

Segundo a especialista, a maior parte das empresas brasileiras está na fase de mensuração de seus impactos para estabelecer uma agenda de prioridades de ação alinhada com os ODS.

Andrey Brito, coordenador de cooperação internacional do Governo do Estado de São Paulo, destacou que a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) está mensurando os diversos impactos dos órgãos governamentais e a próxima etapa é construir planos de ação e replicar a estratégia em prefeituras.

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Da redação, com informações da Embrapa

AGROemDIA

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