Mercado aquecido para o algodão brasileiro

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Foto: Carlos Rudiney Mattoso

O crescimento do consumo de produtos têxteis e confeccionados, de 4% a 5%, no mercado interno, aliado à previsão de aumento de 12% na safra de algodão e 20% de incremento na área plantada no Brasil, aponta um cenário otimista para a cotonicultura.

Mesmo assim, a cadeia de algodão se preocupa com a elevação das importações de produtos acabados, principalmente pelo alto índice de informalidade. Em média, elas foram 50% superiores este ano, chegando a bater em 70% em novembro, na comparação com 2016.

A situação do setor foi avaliada na última reunião de 2017 da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura, na sede do Instituto Pensar Agro (IPA), em Brasília. No momento, a câmara é presidida pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, o consumo em alta aquece também a demanda pelo algodão, que segue sendo a principal fibra têxtil no Brasil.

“É muito importante manter esse status, mas precisamos estar atentos ao crescimento da participação do poliéster e de outras fibras na indústria, seja por questões de preço ou de desempenho”, disse Pimentel.

Competição com fios sintéticos

Hoje, acrescentou, tecidos como o denin estão ficando mais leves, com menos concentração da fibra na trama e participação de outras matérias-primas na composição. “E o jeans está deixando de ser 100% algodão, principalmente no segmento feminino.”

“Temos de ser capazes, através da inovação, de fortalecer o consumo do algodão no Brasil e no mundo para enfrentar a competição com os fios sintéticos”, enfatizou o presidente da Abit, elogiando a Abrapa pelo movimento Sou de Algodão.

Os indicativos de arrefecimento da crise econômica, que, conforme a Abit, já se refletem no aumento de consumo de têxteis e confecções, também deverão ser positivos para as exportações de algodão, projeta a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

Os exportadores ressaltam que o fim da recessão aumenta as importações e a disponibilidade de contêineres e rotas de navegação no país. Este ano, com menos contêineres em circulação e linhas de navios reduzidas, houve atraso nos embarques de algodão, cujo principal destino é a Ásia.

Questionado pelo presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, se o crescimento estimado de 20% na produção da fibra não afetará os embarques, o vice-presidente da Anea, Marco Antonio Aluisio, disse que o aumento será absorvido, como ocorreu na safra 2016/17.

“Estamos preparados para suportar o aumento de produção de cerca de 200 mil toneladas. De 2016 para 2017, já houve elevação de quase 150 mil toneladas. Esse é um problema que os traders têm de administrar. Agora, os atrasos não são um problema específico do algodão, mas do Brasil de maneira geral”, assinalou Aluisio.

O terceiro levantamento da safra 2017/2018 indica que o país deverá produzir 1,8 milhão de toneladas de pluma de algodão, em 1 milhão de hectares de lavouras, com produtividade média estimada em 1,6 mil quilos por ha.

Uma das alternativas para reduzir a pressão sobre o Porto de Santos é exportar a produção da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) pelos portos do Norte e Nordeste.

A proposta tem sido defendida pela Abrapa. De acordo com o vice-presidente da entidade, Júlio Cézar Busato, está sendo elaborado um estudo de viabilidade sobre o uso dessas alternativas. Algumas experiências já vêm sendo feitas com sucesso na Bahia, via Porto de Salvador.

Mapeamento da cadeia produtiva

O professor Marcos Fava Neves, da Universidade de São Paulo (USP) e Markestrat, apresentou alguns resultados do estudo A Cadeia Produtiva do Algodão – Safra 2016/2017, Desafios e Estratégias.

Segundo Fava Neves, o PIB da cadeia produtiva foi de US$ 74 bilhões, composto principalmente pelas atividades pós-porteira. A movimentação financeira do setor alcançou US$ 135,5 bilhões, sendo US$ 1,3 bilhão no elo de insumos para a produção agrícola, US$ 3,2 bilhões nas fazendas, US$ 131 bilhões no “pós-porteira” e ainda US$ 48 milhões em empresas facilitadoras do funcionamento da cadeia, como corretoras e classificadores de pluma.

 

 

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