Caminhões e tratores autodirigíveis auxiliam o agronegócio

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Foto: Fábio Scremin/APPA

Waldir L. Roque*

A economia brasileira anda sobre rodas. Isso é o que vemos todos os dias nas nossas estradas. O transporte rodoviário de cargas é o principal modal de transporte de bens e produtos agrícolas no Brasil, representando, sozinho, cerca de 60% de tudo que é transportado de um ponto a outro do país. O número de veículos com Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga – RNTRC supera 1,6 milhão, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A matriz de custos do transporte rodoviário de bens é composta por diversos itens. Dentre estes estão como custo fixo os salários e demais encargos dos motoristas e como custos variáveis, a reposição de peças, manutenção, combustível e lubrificantes, pneus, entre outros.

No Brasil, o custo com motoristas representa cerca de 16%, enquanto nos Estados Unidos é da ordem de 30%. Por outro lado, o custo com combustível, manutenção e pneus são da ordem de 26%, 14% e 11%, enquanto nos Estados Unidos são de 19%, 8% e 3%, respectivamente.

Uma análise simplista aponta para uma remuneração inferior dos motoristas brasileiros, consequência da legislação e dos altos encargos trabalhistas. Na outra ponta, vemos que as longas distâncias percorridas em estradas mal conservadas fazem com que haja um custo muito maior com manutenção, pneus e até do combustível, que no Brasil é muito taxado.

Nos Estados Unidos, as pesquisas para disponibilizar caminhões autodirigíveis, isto é, sem motorista, já estão bastante avançadas, com empresas prevendo que em 10 anos haverá frotas de caminhões autodirigíveis, pelo menos por lá.

A preocupação, além de natureza técnica e de segurança da trafegabilidade de tais veículos nas estradas, está também sendo com a possível redução do número de empregos decorrente da diminuição da necessidade de motoristas. Num primeiro momento, empresas como a Volvo, prometem caminhões com maior automação, mas ainda não totalmente autodirigíveis. Outras já trabalham para pôr a tecnologia em prática.

Em outubro do ano passado, a empresa americana OTTO Motors, uma das principais desenvolvedoras de caminhões autodirigíveis, realizou um experimento, transportando uma carga de 2000 engradados de cervejas Budweiser por um percurso de 200 km.

É claro que toda a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento, mas em poucos anos estará disponível, pelo menos nos países mais avançados, onde os salários com pessoal têm um grande peso na matriz de custos e as condições das estradas permitem a aplicação da tecnologia.

No Brasil, a introdução dessa tecnologia será muito mais lenta, particularmente devido à má qualidade das estradas, dificuldades regulatórias e até das associações de classe, uma vez que o número de motoristas é muito grande e isso certamente representará uma ameaça aos empregos.

Ainda temos muita mão de obra com baixo nível de escolaridade e, por consequência, se torna mais barata. Por isso, muitos empregos que já foram substituídos por máquinas ou processos automáticos em outros países, como cobradores de ônibus ou frentistas em postos de combustíveis, persistem no Brasil.

Independente de termos caminhões autodirigíveis, muitas indústrias estão trabalhando nos processos de automação para melhorar o desempenho, o conforto e a segurança dos caminhões e isso vai requerer, cada vez mais, profissionais com maior nível de escolaridade e capacitação técnica.

Da mesma forma que para os caminhões, há empresas dedicadas ao desenvolvimento de tratores autodirigíveis e programáveis de modo a executar tarefas totalmente autônomas, sem a necessidade de um tratorista a bordo. Apenas por meio de tablets ou smartphones, ou em salas de controle, é possível comandar todas as tarefas necessárias, desde o plantio até a colheita.

Nas grandes propriedades, a demanda por eficiência no agronegócio requer a presença de uma maior mecanização, automação e robotização. Tratores autodirigíveis, capazes de corrigir o solo com precisão seguindo mapas geoprocessados com especificações das necessidades de diferentes áreas da propriedade e que fazem a colheita de grãos dia e noite sem parar obedecendo as indicações dos lotes a serem colhidos, já são uma realidade.

Nas pequenas propriedades, os cuidados necessários com o manejo de vegetais e frutas, aliados à necessidade da redução de custos, também exigem tratores especiais autodirigíveis. Pequenos tratores autodirigíveis para capinar, colher vegetais e frutas, ou mesmo para podar a parreiras são também uma realidade.

De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a demanda por alimentos até 2050 terá um aumento da ordem de 70% ao atual e isso vai requerer maior eficiência em produtividade, barateamento de custos para a produção, distribuição e rastreabilidade dos produtos, tudo isso seguindo os preceitos de sustentabilidade. A automação será fundamental para se alcançar esta demanda e os caminhões e tratores autodirigíveis serão uma realidade cada vez mais presente, auxiliando o agronegócio.

*Consultor em Sistema de Produção Integrada

AGROemDIA

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