Operação Carne Fraca: Carne de aves pode ser consumida sem risco após cozimento, garante Maggi

Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (5), o ministro Blairo Maggi tranquilizou a população quanto ao consumo de aves, após a 3ª fase da Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A investigação apura fraudes praticadas por empresas e laboratórios em exames laboratoriais que detectam a presença de Salmonella spp, com objetivo de burlar o Serviço de Inspeção Federal (SIF).
“Trata-se de operação para resolver problemas da relação entre laboratórios e empresas produtoras de alimentos. O Ministério da Agricultura tem trabalhado junto com a Polícia Federal, com o Ministério Público Federal e posso garantir à população brasileira que não há nenhum risco no consumo de carnes de aves produzidas por qualquer uma das empresas citadas ou não. Como sabemos, a Salmonella desaparece quando cozida ou quando frita a uma temperatura de 60º”.
Segundo Maggi, o regulamento brasileiro é diferente do de determinados países, que não permitem a presença de Salmonellla. “A investigação é sobre a exportação para alguns países e a adulteração de análises para produtos com esses destinos. Estamos absolutamente tranquilos, defendendo a agricultura, os agricultores, o agronegócio brasileiro e queremos que a coisa seja feita de forma correta, transparente e assim será feito”.
Modelos de auditoria
Desde o ano passado, ressaltou o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luis Rangel, o Mapa começou a trabalhar modelos de auditoria mais intensos e sofisticados em laboratórios com atenção especial sobre Salmonella. “Fomos até onde podíamos com as nossas ferramentas administrativas. Agora, contamos com a colaboração da polícia para desbaratar esse tipo de fraude.”
A investigação conjunta do Mapa e PF apurou falsificação de resultados de exames de laboratórios privados, credenciados pelo ministério, omitindo em algumas amostras a existência da bactéria Salmonella spp, comum principalmente em carne de aves, pois faz parte da flora intestinal desses animais. Se a carne for cozida ou submetida à fritura, não oferece risco, Mesmo assim, a bactéria enfrenta restrições em alguns países.
Cinco laboratórios estão envolvidos nas irregularidades. Três credenciados pelo ministério e dois de autocontrole das empresas. Esses cinco, de um universo de 496 credenciados pelo Mapa, não podem mais fazer análises até o fim das investigações, que podem resultar em descredenciamento definitivo.
Houve também a suspensão das exportações pelos frigoríficos envolvidos para 12 destinos onde são exigidos requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp: África do Sul, Argélia, Coreia do Sul, Israel, Irã, Macedônia, Maurício, Tadjiquistão, Suíça, Ucrânia, Vietnã e União Europeia.
Estão sob investigação quatro plantas industriais da BRF. Duas de frango – uma em Rio Verde (GO) e outra em Carambei (PR) –, e uma de perus em Mineiros (GO), além de uma fábrica de rações em Chapecó (SC). A retomada da exportação pela unidade excluída da lista dependerá de auditoria sanitária do país importador.
As empresas envolvidas terão aumento na frequência de amostragem até o fim do processo de investigação. Se forem comprovadas práticas que afetam também o mercado interno, o Mapa adotará as medidas cabíveis.
O secretário da SDA destacou as iniciativas de aprimoramento de ferramentas de combate a fraudes em alimentos e a continuidade das ações já desempenhadas pelo SIF, possibilitando a redução de não conformidades a curto e médio prazos.
Da redação, com informações do Mapa

