A lenta evolução das universidades brasileiras

Waldir Leite Roque*

Os ranqueamentos das universidades mundiais vêm sendo realizados por mais de uma década. Os três principais sistemas de ranqueamento são o Times Higher Education (THE), o QS World University Ranking e o Academic Ranking of World Universities, os dois primeiros por empresas da Inglaterra e o último pela Shanghai Ranking Consultancy, cuja origem ocorreu na Universidade Jiao Tong de Xangai, na China. Quer se goste ou não dos ranqueamentos, a verdade é que eles estão cada vez mais profissionais e com parcerias que os qualificam na credibilidade.

Os ranqueamentos produzidos pela QS 2018 estão disponíveis em sua página na internet e podemos ver diversos detalhes sobre as 1.000 melhores universidades do mundo. Como sempre, das dez melhores universidades, seis são americanas, três são inglesas e uma suíça, sendo as quatro primeiras posições ocupadas por instituições americanas.  No QS 2018 vinte e duas universidades brasileiras estão presentes, sendo a USP a melhor classificada, mesmo assim está na posição 121; a UNICAMP, segunda brasileira, compartilha a posição 182 com outra universidade estrangeira e a terceira universidade brasileira e a primeira federal no ranque, a UFRJ, ocupa a posição 311. As demais universidades brasileiras ranqueadas estão além da posição 491, quando muitas instituições passam a compartilhar faixas de ranqueamento.

O que mais chama a atenção no quadro geral das instituições brasileiras é que, desde 2012, apenas a UNICAMP, PUC-SP e PUC-RJ apresentam evolução constante, enquanto todas as demais oscilam bastante. A maioria das universidades brasileiras apresentam um claro decaimento a partir de 2015. Os fatores que levaram ao decaimento podem ser de diversas naturezas, de acordo com a metodologia. Como o ranqueamento permite que mais de uma instituição ocupe o mesmo nível, o efeito relativo referente à mudança de uma posição para outra não ocorre. Portanto, parece que os efeitos são absolutos, ou seja, as universidades perderam posições efetivas, o que nos permite inferir que a crise econômica brasileira, que levou à redução de recursos às universidades públicas, pode ter contribuído para este efeito negativo.

Na América Latina, a instituição mais bem colocada é a Universidade de Buenos Aires (UBA), que ocupa, em 2018, a posição 75. A UBA surpreende pela sua alta taxa de evolução, saindo da posição 230 em 2012 e alcançando a posição atual em um curto espaço de tempo, taxa essa que não é observada por nenhuma das universidades brasileiras. Considerando o QS dos países que formam o BRICS, a China apresenta o maior número de universidades ranqueadas, com um total de 39, estando três delas entre as 50 melhores instituições mundiais; a Rússia ocupa a segunda posição com 24 universidades e o Brasil a terceira posição com as suas 22 universidades.

Infelizmente, sem investimentos adequados e uma política que permita melhorias no modelo atual das universidades brasileiras, especialmente das públicas, a evolução qualitativa e quantitativa das mesmas para patamares acadêmicos mais elevados será muito lenta ou até inviável, tendo em vista que universidades do mundo inteiro também buscam alcançar melhores níveis de classe mundial com forte inserção econômica e social nas suas regiões, visando tornarem-se Universidades Mor (flagships).

*Prof. Titular UFPB

 

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