UE oficializa embargo à carne de frango de 20 frigoríficos brasileiros

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Foto: Agência Brasil/Arquivo

A União Europeia publicou nesta quarta-feira (16), no Jornal Oficial da União Europeia, o regulamento que proíbe a importação de carne de frango de pelo menos 20 frigoríficos brasileiros. Doze deles pertencem à companhia de alimentos BRF. A proibição foi decidida com base em denúncias de fraudes praticadas por empresários e fiscais agropecuários federais, investigadas na terceira fase da Operação Carne Fraca, denominada Trapaça e deflagrada pela Polícia Federal em março do ano passado.

A Operação Trapaça teve como alvo a BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. O grupo é investigado por fraudar resultados de análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactéria Salmonella pullorum. Em nota, a empresa negou riscos para a saúde da população.

No regulamento, as autoridades europeias dizem que a partir de março de 2017 os Estados-Membros notificaram “um número significativo de casos de incumprimento grave e reiterado devido à presença de Salmonella em carne de aves de capoeira e preparados de carne de aves de capoeira originários de vários estabelecimentos no Brasil”.

Ainda de acordo com o regulamento, as autoridades competentes brasileiras foram informadas sobre esses casos e convidadas a tomar as medidas corretivas necessárias. “As informações recebidas das autoridades competentes brasileiras e os resultados dos controles oficiais nas fronteiras da União não permitiram demonstrar que foram tomadas as medidas corretivas necessárias para corrigir as deficiências identificadas. Por conseguinte, não existem garantias suficientes de que esses estabelecimentos cumprem atualmente os requisitos da União e os seus produtos podem, por issso, constituir risco para a saúde pública”, informa o documento publicado no Jornal Oficial da União Europeia.

“É, pois, necessário retirá-los da lista de estabelecimentos a partir dos quais são autorizadas importações de produtos à base de aves de capoeira na União”, acrescenta o documento, ao afirmar que investigações. “Os produtos podem constituir um risco para a saúde pública e é conveniente retirá-los da lista de estabelecimentos a partir dos quais são autorizadas importações de carne e produtos à base de carne na União.”

Contatado pela Agência Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou estar atuando para reverter a situação, mas que não comentará as argumentações apresentadas no regulamento da União Europeia.

Mercado interno

Com a limitação da exportação para o mercado europeu, a expectativa é que aumente a oferta no mercado interno, o que tornará o frango mais barato para o consumidor brasileiro.

As vendas para a UE já vinham apresentando quedas. Segundo o Mapa, no ano passado, o Brasil exportou 201 mil toneladas para o bloco. Em 2007, chegou a exportar 417 mil toneladas. Em valores, em 2017, foram exportados US$ 765 milhões em frango. A queda nas vendas externas poderá resultar em mais demissões no setor.

Projeção feita recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indica que o embargo da União Europeia ao frango brasileiro deverá gerar, neste ano, perda de 30% sobre o total do produto exportado pelo Brasil para o bloco, composto por 28 países.

O embargo terá impacto em 20 plantas exportadoras (unidades de produção) de nove empresas. De acordo com a ABPA, o Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo. Ao longo de quatro décadas, o país embarcou mais de 60 milhões de toneladas de carne de frango, em mais de 2,4 milhões de contêineres para 203 países.

No final de abril, os ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizaram, por unanimidade, o início das tratativas de abertura de contencioso na Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando as barreiras impostas pela UE à carne de frango brasileira.

Na manifestação, a Camex argumenta que, apesar de a comunidade europeia argumentar tratar-se de questão sanitária, bastaria os frigoríficos brasileiros pagar uma tarifa de 1.024 euros por tonelada e mandar tudo como carne in natura para o produto entrar no bloco sem problemas sanitários.

 

 

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