Pesquisa de jovem técnico agropecuário do oeste baiano reforça combate à fome

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Tailan Silva de Melo, jovem pesquisador do oeste baiano – Foto Divulgação

Um jovem pesquisador de Barreiras, no oeste da Bahia, é o responsável por uma iniciativa capaz de impulsionar ainda mais o combate à fome e ao desperdício de alimentos. Tailan Silva de Melo, técnico agropecuário de 21 anos, desenvolveu o projeto de iniciação científica para uso da biomassa de banana verde como fonte de alimentação. O trabalho já despertou interesse em várias partes do país e da América Latina. Recentemente, Tailan apresentou-o no México. Agora, ele tenta conseguir apoio para participar de um fórum científico em Portugal. 

Filho de agricultora, Tailan sempre estudou em escola pública. Em 2017, formou-se em técnico em agropecuária pelo Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) da Bacia do Rio Grande. Ao longo do curso, desenvolveu a pesquisa ‘Biomassa de banana verde como fonte alternativa de alimentação’, por meio do Projeto Ciência na Escola, da Secretaria Estadual da Educação.

O trabalho foi orientado, de 2015 a 2017, pela professora Luiza Idiane Dias. Neste ano, o técnico agropecuário tem como orientadores os professores Marcos Vidal Martins e Volnei Brito de Souza, da Universidade Federal do Oeste Baiano, e conta com a parceria do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras.

Por meio do projeto, Tailan constatou que parte da banana verde é inutilizada e desprezada a céu aberto nos períodos de colheita e da maturação do fruto e, até mesmo, na seleção para a comercialização e o transporte entre lavouras da região oeste da Bahia. A pesquisa de campo foi desenvolvida em uma propriedade de 8 hectares, onde ele identificou os principais fatores de desperdício, algo que ocorre em outras áreas que seguem o mesmo modelo de produção.

Tailan concluiu ainda que a biomassa da banana verde – uma massa homogênea e rica em amido resistente – era a alternativa para evitar o desperdício e apoiar a geração de renda na atividade rural do oeste baiano. “A partir disso, foram feitas formulações como bolos, biscoitos, brigadeiros e patê. O mais interessante é a substituição de ingredientes que são reagentes alérgicos para pessoas com intolerância a glúten e lactose ou diabéticos, porque na produção substituímos a farinha de trigo, o leite e seus derivados e a maionese”, conta.

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Aceitação

As formulações, lembra Tailan, foram elaboradas para um teste de aceitabilidade, em 2015, em uma feira científica no Cetep Bacia do Rio Grande e tiveram mais de 90% de aprovação em escala sensorial de sabor, aroma, aparência e textura. “Muitas pessoas nem sabiam que as bananas verdes desperdiçadas podiam gerar alimentos saborosos e nutritivos”, diz o técnico agropecuário, que pretende fazer faculdade de nutrição.

Em três anos, o projeto já foi apresentado em 16 eventos estaduais, nacionais e internacionais. Entre eles, a Mostratec (RS), Febrace (SP) e a Fenecit (PE). Tailan também levou à pesquisa à Fecitec Girasoles, em Encarnacion (Paraguai), e à Feira Empreendedora Latino-Americana, em Ambato (Equador), ambas em 2017. No final de maio, o técnico agropecuário mostrou o resultado do trabalho em um encontro em Coacalco de Berriozábal (México).

Neste ano, adianta Tailan, o projeto entrou segunda fase. “Estamos produzindo um novo produto de biomassa e novas formulações para aumentar o alcance social da pesquisa e uma futura comercialização”, acrescenta. No momento, ele está usando o Centro de Processamento de Alimentos (cozinha experimental) da Fazenda Modelo, por meio de parceria com a Fundação Banco do Brasil, para prosseguir com o trabalho.

O jovem enfatiza que toda o projeto de iniciação científica foi desenvolvido em uma unidade escolar pública. “Isso mostra que as oportunidades não surgem apenas para quem estuda na rede particular ou federal”, observa, ressaltando o apoio que recebeu da professora de biologia Fernanda Suely. Tailan assinala ainda que o fato de a região de Barreiras ser um polo agrícola o incentivou na escolha do curso de técnico agropecuário e na pesquisa.

Agora, técnico agropecuário espera conseguir apoio para apresentar a pesquisa no Youth Science Meeting, em Bragança (Portugal), de 21 a 28 de julho. Pela segunda vez, ele é convidado para o evento. Na primeira, não foi por falta de recursos. Nesta semana, recém-chegado do México, onde participou do Encuentro de Proyectos Científicos del Estado do México e Encuentro de Pandillas Científicas em Coacalco, no Centro Escolar Zamá, Tailan vai atrás de parcerias para poder ir ao encontro.

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