Cepea: Preço do leite ao produtor segue firme, mas custo de produção sobe 1,62%

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Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

A limitação da oferta de leite no campo tem mantido firmes os preços ao produtor neste verão, informa a edição de fevereiro do Boletim do Leite do Cepea, divulgado nesta quarta-feira 18. Isso está ocorrendo porque a produção tem se elevado lentamente, ao contrário de outros anos, quando tradicionalmente cresce o volume de leite ofertado ao mercado, diz a analista do Cepea Natália Grigol. Segundo ela, essa tendência deve prosseguir no primeiro trimestre do ano.

No entanto, esse cenário não favorece o pecuarista de leite, uma vez que os custos de produção começaram 2020 com alta de 1,62% na média Brasil, que considera os estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP. A elevação é consequência do reajuste do salário mínimo e do aumento nos preços das rações, de acordo com o analista do Cepea Ivan Barreto.

Leia, abaixo, as análises de Natália Grigol sobre preços do leite ao produtor neste início de ano e de Ivan Barreto sobre a alta dos custos de produção no setor. Os dois fazem parte da equipe de leite do Cepea.

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Foto: Pixabay License

Preços devem seguir firmes no primeiro trimestre”

Por Natália Grigol

“Os preços do leite no campo seguem a tendência sazonal. No verão, a produção é estimulada pelo maior volume de chuvas, que beneficiam as pastagens e, assim, a alimentação animal. Como consequência da maior produção no campo, os preços tendem a cair de novembro a março. Essa tendência dá certa previsibilidade para a tomada de decisão dos agentes de mercado. Entretanto, neste verão, a produção no campo tem se elevado lentamente e a consequente limitação da oferta, que já vinha direcionando os movimentos do mercado do leite desde o ano passado, deve continuar a pesar sobre as negociações entre produtores e indústria neste primeiro trimestre.

O atraso das chuvas da primavera, o aumento dos custos de produção (em especial do preço do concentrado) e o abate de vacas leiteiras, estimulado pelos elevados valores no mercado de gado de corte, prejudicaram a produção de leite nos últimos meses. A competição entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima tem mantido o leite valorizado no campo desde outubro de 2019, num movimento atípico para o período – que é geralmente caracterizado pelo aumento da produção, puxada pelo Sudeste e Centro-Oeste, e estabilidade na captação do Sul do país.

Para agravar este cenário, as altas temperaturas e a estiagem no Sul do País, com destaque para o Rio Grande do Sul, impactaram negativamente a atividade leiteira. Neste caso, animais enfrentaram maior estresse calórico e diminuição de alimentos para o rebanho – devido à menor disponibilidade de pastagem e também aos prejuízos no plantio de milho para silagem.

O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea recuou 1,2% de novembro para dezembro na “Média Brasil”. O resultado está atrelado às quedas de 7,3% no RS, de 1,4% em MG e de 0,5% em GO.

Quando considerado o período de outubro a dezembro, quando tipicamente verifica-se aumento da produção, a captação das empresas avançou apenas 1,65%.

Diante da oferta restrita, o levantamento do Cepea mostrou que o preço do leite pago ao produtor em janeiro (referente ao volume captado em dez/19) chegou a R$ 1,36835/litro na “Média Brasil” líquida. Em termos reais, houve alta de 0,9% frente ao mês anterior e ficou 2,3% acima do observado em jan/19 (valores deflacionados pelo IPCA de jan/20). Este é o maior preço real da série histórica do Cepea para um mês de janeiro.

De acordo com pesquisa ainda em andamento do Cepea, o preço pago ao produtor em fevereiro (referente à captação de janeiro) deve registrar nova alta. A intensidade do aumento, contudo, deve variar entre os estados analisados.”

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Foto: AEN/Gov. PR

2020 se inicia com alta nos custos de produção”

Por Ivan Barreto

“Os custos de produção de leite, representados pelos desembolsos do produtor, iniciaram 2020 com alta de 1,62% na média Brasil, que considera os estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP.

Esse cenário se deve, principalmente, ao reajuste do salário mínimo e ao aumento nos preços das rações.

Vale lembrar que os gastos com mão de obra devem se elevar a partir de fevereiro, quando o salário mínimo passará de R$ 1.039,00 para R$ 1.045,00.

A alta nos preços da ração, de 3,5% em janeiro, refletiu o aumento nas cotações do milho. Com a remuneração do produtor estável desde agosto de 2019, o poder de compra em relação ao cereal se encontra desfavorecido. Assim, em janeiro de 2020, foram necessários 37,32 litros de leite para aquisição de uma saca de milho de 60 kg. Já no mesmo período do ano passado, eram necessários apenas 30,31 litros, uma depreciação de 23% no poder de compra do produtor.

Por outro lado, as cotações dos adubos e corretivos tiveram queda de 2,46% em janeiro, cenário que limitou a alta dos custos de produção. A retração dos preços dos fertilizantes está relacionada a intempéries climáticas nos Estados Unidos, que reduziram a aplicação dos produtos, impulsionando a oferta no mercado.”

 Acesse aqui a íntegra da edição de fevereiro do boletim do leite do Cepea.

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