PI: Picos adota alho no brasão após resgate da cultura

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A Câmara Municipal de Picos aprovou por unanimidade projeto de lei que dispõe sobre a instituição do brasão oficial do município, localizado na região centro-sul do Piauí. Entre as imagens presentes no novo brasão há uma réstia de alho, que representa a importância dessa cultura agrícola para a cidade.

O resgate da cultura do alho entre agricultores familiares de Picos e de outras localidades do Piauí foi possível graças a um projeto executado pela Embrapa Hortaliças, desde 2016, que visa a fortalecer a produção de alho no estado a partir da adoção de técnicas de manejo e de tecnologias que melhoram a qualidade da semente e, assim, garantem lavouras mais sadias e produtivas.

Até a década de 1990, o Piauí esteve entre os maiores produtores de alho da região Nordeste, mas a cultura entrou em decadência nas décadas seguintes devido, entre outras causas, à degenerescência dos materiais pelo acúmulo de viroses ao longo de várias safras, o que resultava na queda da produção, da qualidade e do preço do alho produzido.

Com o projeto e a retomada da cultura em Picos, o alho mereceu lugar de destaque no novo brasão oficial da cidade, que também homenageia o algodão, o caju e o mel. A imagem ainda ilustra aspectos geográficos e naturais de Picos, como os morros característicos que dão nome à cidade e o rio Guaribas.

Segundo o prefeito, Padre Walmir de Lima, o brasão enaltece a riqueza cultural do município, destacando os valores conservados pelas memórias coletivas, que atingem todo o Sertão central piauiense.

A expectativa agora é que o projeto de lei, aprovado na última quarta-feira (6), seja sancionado pelo prefeito para ser publicado. Depois disso, o brasão passará a ter uso obrigatório em documentos oficiais, prédios públicos, veículos oficiais, placas indicativas, entre outros.

Projeto dobra a produtividade

Os esforços de pesquisa – por meio da avaliação de variedades e da introdução do alho-semente livre de vírus – e de transferência de tecnologia, com capacitação de técnicos e agricultores, permitiram a revitalização e o fortalecimento da cultura na região de Picos.

A implantação do plano para revitalização do alho no estado foi uma ação conjunta entre da Embrapa com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Associação Piauiense dos Produtores de Alho (APPA).

A partir de variedades que foram preservadas pelo Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de alho da Embrapa Hortaliças, que eram habitualmente plantadas na região, foi possível fazer um processo de limpeza viral e reintroduzir essas variedades melhoradas nas lavouras.

Somente no ano passado, as unidades de multiplicação instaladas pelo projeto disponibilizaram mais de 12 toneladas de alho-semente de alta qualidade fisiológica e sanitária para os agricultores darem continuidade à revitalização do cultivo de alho no Piauí.

A introdução do alho livre de vírus dobrou a produtividade que era obtida na década 90, quando houve o declínio da produção no estado e, atualmente, os agricultores conseguem obter, em média, de 7 a 8 toneladas por hectare.

“É possível alcançar uma produtividade de até 12 t/ha com a evolução tecnológica da cultura e com ajustes no sistema de manejo, como irrigação e adubação, que devem ser assimilados pelos técnicos e produtores”, avalia o pesquisador Francisco Vilela.

Para que o potencial seja alcançado, o projeto também estabeleceu um programa de capacitação dos agentes multiplicadores da região que aborda o desempenho agronômico das variedades associadas à tecnologia de alho-semente livre de vírus, entre outras tecnologias de produção para modernização da cadeia produtiva e retomada da competitividade do alho produzido em Picos e outras localidades do Piauí.

Da redação, com Embrapa e prefeitura de Picos

 

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