Cadeia da mandioca precisa de tecnologia para aumentar produtividade

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Foto: Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

As necessidades da cadeia produtiva da mandioca vão do campo à mesa do consumidor: melhoramento genético, tratos culturais, pós-colheita e processamento de produtos derivados da raiz. A constatação foi feita durante reunião entre produtores, representantes de órgãos de controle e fiscalização e técnicos e gestores da Embrapa para identificar as principais demandas tecnológicas do setor no Pará, maior polo de produção de mandioca do país.

O estado colheu, em 2017, cerca de 300 mil hectares de mandioca, a maior área plantada da cultura no Brasil. A produção do Pará também é a maior do país: em torno de 4 milhões de toneladas (2017), segundo o IBGE. Porém, a produtividade das lavouras paraenses é baixa frente aos estados do Paraná e São Paulo. Enquanto o rendimento   médio do território paraense é de 14 a 15 toneladas por hectare, no Sudeste ele atinge 25 toneladas/hectare.

“Quase 100% dos municípios paraenses produzem mandioca. Em alguns lugares, a produtividade é muito baixa, chegando, no máximo, a 8 toneladas por hectare. Isso é comparado a países africanos”, alertou o produtor Benedito Dutra, do município de Tracuateua, no nordeste paraense.

O produtor ressaltou que somente uma variedade de mandioca mais produtiva não basta. Ele destacou dois pontos fundamentais para profissionalizar e melhorar a produção no estado: genética e tratos culturais.

“Precisamos de manivas sementes (que são os materiais para o plantio da mandioca) com mais qualidade genética, mais resistentes a doenças e também um sistema eficiente de controle de ervas daninhas no campo”, disse o produtor. “O controle dessa erva representa um custo grande na produção, uma capina manual, por exemplo, custa R$ 3 mil por hectare”.

Ele também chamou a atenção para a atualização de recomendações técnicas, como espaçamento para o cultivo da mandioca nas propriedades familiares, indicação de adubação, plantio vertical, entre outros pontos. “Esperamos que a pesquisa teste e valide as experiências que já vêm sendo realizadas no campo. O que tem hoje recomendado está defasado.”

Produtos com mais qualidade e segurança

Para a agrônoma Ana Karen Neves, gerente de Produtos Artesanais de Origem Vegetal da Adepará, a pós-colheita é uma etapa importante para melhorar a qualidade dos produtos derivados da mandioca e garantir melhores preços e mercados ao produtor rural.

A técnica falou sobre a regulamentação dos produtos artesanais de origem vegetal, especialmente os derivados da mandioca, no estado do Pará e os desafios do setor. Ela apresentou a necessidade de reforçar junto aos produtores um conjunto de boas práticas na produção de farinha, tucupi e maniva, macaxeira e goma. “Nosso trabalho não é somente fiscalizar, mas sim orientar os produtores. Por isso, a parceria com instituições como a Embrapa é imprescindível”, assinalou.

As principais necessidades são informações técnicas sobre manipulação, armazenamento e transporte desses produtos. Tecnologias para o processamento de derivados da mandioca também são importantes para o setor. “Falta tecnologia para produção de fécula, a maior parte do que consumimos no Pará vem do Paraná”, exemplificou a agrônoma.

A questão dos corantes artificiais na farinha também foi levantada pela técnica, já que o paraense tem preferência pela farinha amarela. A Embrapa vem trabalhando na identificação de variedades de mandioca amarela, combatendo assim o uso de corantes.

Para Bruno Giovany de Maria, gestor de Transferência de Tecnologia da Embrapa no Pará, o momento exige que o centro de pesquisa intensifique sua interlocução com o setor produtivo e a mandioca é uma das culturas de grande importância no estado. “A partir desse levantamento podemos estabelecer metas para inovação ou proposição de pesquisas em função das necessidades dos parceiros e produtores”, afirmou.

A reunião, na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, contou ainda com a particiapação de representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e da Secretaria Municipal de Agricultura de Castanhal (Semagri).

Da redação, com Embrapa Amazônia Oriental

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