Intensificação de sistemas é receita para produtor conseguir mais renda

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Foto: Fabiano Marques Dourado Bastos/Embrapa

A adoção de sistemas integrados de produção vem sendo defendida por pesquisadores como alternativa viável para incrementos de renda nas propriedades rurais. A integração entre sistemas permite recuperar a fertilidade do solo, trazendo como benefícios diretos o aumento da capacidade de suporte das pastagens e da produção de forragem e grãos.

Segundo o pesquisador Miguel Gontijo Neto, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), enquanto uma pastagem degradada tem capacidade de suporte de 0,5 Unidade Animal (UA) por hectare, a pastagem recuperada permite a lotação de até três animais na mesma área.

Enquanto se produz três arrobas por hectare ao ano na pastagem degradada, ressalta o pesquisador, consegue-se 15 ou mais arrobas na pastagem corrigida. O abate, acrescenta, pode se dar aos 22 meses nessa condição ideal, ao contrário dos quatro anos necessários na pastagem degradada. E a produção de leite pode subir de mil litros por hectare por ano para 10 mil litros no mesmo período.

“O maior patrimônio do pecuarista é o solo. Sua conservação e a construção da fertilidade devem ser metas de todo produtor rural como meio de incrementar a produtividade e a sustentabilidade do sistema de produção. Se ele aumenta a eficiência do seu sistema produtivo, consequentemente terá mais renda”, reforça Gontijo.

Antes de tudo, é necessário fazer um planejamento detalhado das atividades, buscando sempre a diversificação. “Com isso, você não fica dependente das flutuações de mercado de uma única cultura ou de uma única safra”, completa Emerson Borghi, também pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. Os pesquisadores são unânimes em um dos alicerces do sistema: a adoção do plantio direto.

“A palhada mantém a umidade no solo. A matéria orgânica pode reter até vinte vezes o seu peso em água, como se fosse uma espécie de ‘esponja’, diminuindo o déficit hídrico para as plantas”, descreve Borghi.

A Integração Lavoura-Pecuária e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta são opções de intensificação de sistemas produtivos. “O produtor sai de uma situação dependente do período chuvoso para trabalhar em mais duas estações do ano, na primavera e no outono”, reforça o pesquisador. “Antes de tudo, é essencial conversar com um técnico e começar bem, já que mudanças de rumo podem desestruturar economicamente o produtor”, completa o pesquisador Ramon Alvarenga.

De acordo com Miguel Gontijo Neto, no caso de sistemas de produção integrada onde haverá a inserção do componente arbóreo, o planejamento para a definição das espécies/cultivares e do arranjo espacial é fundamental. O plantio da espécie florestal deve ser feito de forma escalonada no tempo para diluição dos custos de implantação e redução do risco mercadológico, decorrentes de flutuações de preços do produto no momento da venda da produção. De uma maneira geral, o componente florestal se transforma em uma poupança de longo prazo para o agricultor e este deve buscar agregar valor à madeira produzida.

Abaixo, conheça algumas das vantagens da intensificação dos sistemas produtivos, mencionadas pelo pesquisador Emerson Borghi.

Por que intensificar?

– Manejo intensivo da área, maquinário e mão de obra em virtude da diversificação de culturas ao longo do ano;

– Redução da incidência de plantas daninhas e doenças, facilitando o controle e o uso otimizado de insumos;

– Melhoria das condições químicas, físicas e biológicas do solo, proporcionando maior eficiência no uso de fertilizantes e incrementos de produtividade;

– Diversificação econômica: maior independência das flutuações de mercado relativas a uma única cultura ou a uma única safra;

– Aumento de renda numa mesma área, evitando a abertura de novas;

– Mais independência do mercado para as operações de compra e venda de animais, uma vez que a diversificação permite negociações durante o ano todo;

– Menos dependência das condições climáticas para o sucesso da atividade agrícola: mais rentabilidade mesmo em períodos de restrição hídrica.

A viabilização dos sistemas integrados nas propriedades rurais pode ser feita por meio de linhas de financiamento para investimento e custeio via Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono).

Da redação, com Embrapa Milho e Sorgo

  

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