Produtores rurais gaúchos articulam ações para melhorar imagem na sociedade

Foto: Paulo Rossi/Divulgação

A imagem do produtor rural no Brasil e no mundo e a sustentabilidade ambiental na agropecuária foram temas de debate no primeiro dia da 32ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, nesta quarta-feira (16), no município de Capão do Leão (RS). Promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), com correalização da Embrapa e apoio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o evento se encerra nesta sexta-feira (18).

Os dois temas foram debatidos na palestra “A produção de alimentos alinhada à sustentabilidade ambiental: desafios do produtor (gaúcho) no Mundo Pseudoambiental”. Os palestrantes foram o diretor jurídico da Federarroz, Anderson Belloli, o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, e a engenheira agrônoma Mara Grohs, mestre, doutora e pesquisadora do Irga.

O presidente da Comissão de Agricultura da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Silvio Rafaeli, foi o moderador do debate. Segundo ele, quem vive na lavoura sabe da sustentabilidade que tem [na propriedade], do que é feito nela, e de quanto os produtores são condenados pela sociedade pseudoambiental.

“A produção de alimentos é produtividade, rentabilidade e preço, mas passa também, de forma institucional, pela imagem do produtor, que precisa ser trabalhada em nível mundial e da opinião urbana”, enfatizou o primeiro palestrante, Domingos Velho, assinalando que o debate sobre a imagem do produtor e sustentabilidade tem sido instigado pelo presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

Sociedade civil

O vice-presidente da Farsul informou que a entidade decidiu criar um grupo focado no trabalho institucional com todos os setores da sociedade civil. “Isso começa pela imagem mundial. A pauta ambiental hoje é política, e não técnica-científica. Cabe a nós ir de encontro das soluções.”

Domingos Velho pontuou que a agropecuária tem inúmeros exemplos para mostrar a sua sustentabilidade. “Nós sabemos que, com uma pastagem bem conduzida dos ruminantes, vamos ter um balanço de carbono negativo”, observou, salientando que é preciso dar foco na equipe técnica institucional das entidades para falar a linguagem ambiental.

O dirigente destacou ainda que é preciso mostrar que o produtor rural do Brasil é exemplo mundial. “Temos que ser, cada vez mais, eficientes dentro da porteira, mas muito mais de forma institucional”, pontou Domingos Velho.

Desafio do setor

Mara Grohs acrescentou que a questão ambiental da lavoura é essencial para o Irga. Por isso, disse, a sustentabilidade versus a rentabilidade é um grande desafio para o setor. “Primeiro, a atividade rural tem que ser rentável. Nós temos que investir uma grande quantidade de recursos e usar também recursos naturais.”

A pesquisadora do Irga salientou também que a lavoura de arroz sempre esteve relacionada com a sustentabilidade ambiental por dois fatores: “Porque comemos o grão que produzimos e bebemos a água onde está a lavoura. Então, o produtor, os órgãos [públicos], e principalmente o Irga, sempre tiveram essa preocupação.”

A engenheira agrônoma lembrou que o Irga, a Ufrgs, a Embrapa e a UFSM realizam, há duas décadas, o monitoramento dos gases do efeito estufa. “A presença da soja nas Terras Baixas emite, no máximo, 10% dos gases que provocam o efeito estufa, comparado com o arroz. Porém, quando consideramos o nosso sistema chamado ping-pong – um ano soja, um ano arroz – reduzimos o balanço total em 55%”, revelou, observando que 40% do cereal produzido está em rotação com a oleaginosa.

É esse tipo de informação que devemos mostrar para a sociedade”, complementou Mara Grohs. “Na safra passada, quando houve recorde de grãos, os produtores – considerando a produtividade e a redução de área plantada – diminuíram em  21% as emissões dos gases do efeito estufa.”

Ela citou ainda que o uso da água nos últimos anos foi maximizado de 12 mil metros cúbicos por hectare para oito. Mencionou também o uso de cultivares precoces, que reduzem o período de irrigação e antecipam o ciclo do arroz, além do monitoramento da qualidade da água que entra e sai da lavoura. “Há cinco anos, não falávamos de plantio direto e hoje temos 10% nas Terras Baixas. Podemos melhorar muito.”.

Nesse cenário, o diretor Jurídico da Federarroz frisou que o marketing é um gargalo do setor. “Nosso arroz tem extrema qualidade, mas nós vendemos muito mal. Isso é uma culpa que vem de longa data e temos a responsabilidade de começar a pavimentar esse entendimento.”

Bellolli reforçou a necessidade de os produtores seguirem as regras ambientais, mas também de investir neste ponto do negócio [a imagem]. Paralelamente, ele defendeu que a sociedade precisa desmistificar algumas falácias sobre os produtos agroquímicos.  Hoje, destacou, a atual dose letal desses produtos é muito menor que na década de 1960. “Precisamos produzir comida para muita gente a preço acessível. Quem vive em Porto Alegre sabe que quase 70% da população está passando fome, tamanha é a pobreza.”

 

 

AGROemDIA

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