Sul-coreanos criam polo de alimentos orgânicos no oeste da Bahia

cerrado baiano 7 7 18
Cerrado baiano, o endereço de comunidade sul-coreana que produz orgânicos – Foto: Divulgação

Região de forte migração de sulistas por seu enorme potencial agrícola, o oeste da Bahia também passou a atrair estrangeiros. O município de Formoso do Rio Preto, por exemplo, foi escolhido pela empresa sul-coreana Doalnara para instalar a fazenda Oásis, que se dedica à produção de alimentos orgânicos, destaca reportagem da agência de notícias alemã DW.    

“Por intermédio da sua subsidiária brasileira Bom Amigo, a marca de produtos orgânicos comprou uma parcela de vegetação nativa de 10 mil hectares em 2009. Seis anos depois, recebeu uma licença ambiental para produzir numa área de mil hectares”, informa a DW. A propriedade no interior do município produziu 260 toneladas de alimentos na última colheita.

Polo de cultivo de soja, algodão, milho, arroz e feijão, a cerca de 950 quilômetros de Salvador, Formoso do Rio Preto abriga agora o “novo paraíso”, nome fazenda, onde vivem cerca de 500 pessoas que chegaram ao local nos últimos dois anos. Todos têm raízes sul-coreanas: alguns vieram diretamente da Coreia do Sul e outros da Rússia, dos EUA ou do Japão.

De acordo com a DW, a expectativa é que mais sul-coreanos cheguem ao Brasil por causa da possibilidade de expansão da área de cultivo. “Outros 111 sul-coreanos vivem hoje em outras quatro fazendas no país: duas no estado de São Paulo e duas na Bahia”, diz a reportagem.

Isolamento do ambiente

O isolamento do ambiente, segundo a DW, é o motivo pelo qual a empresa se mudou para cá: um pedaço de terra onde produtos geneticamente modificados ou agrotóxicos nunca foram usados.

Embora a Doalnara seja uma empresa internacional de grande porte, a vida na fazenda brasileira se distancia da lógica capitalista. “Eles produzem quase tudo, de sabão e xampu a comida. A produção local inclui soja, milho, arroz, feijão, gergelim, abacate, maracujá e banana. E os sul-coreanos criaram sua própria versão de pão de mandioca”, ressalta a DW.

Na comunidade, acrescenta a reportagem, a comida é distribuída entre os moradores da vila e não se usa dinheiro, porque os produtos são trocados ou divididos gratuitamente. “Os membros da comunidade são cuidadosamente selecionados para fazer parte da empreitada. Ter conhecimentos em agricultura é uma vantagem, mas não é essencial.”

O mais importante, assinala a DW, é que os membros sejam cristãos e sigam os princípios do mestre Suk Sun, que transmite os valores da Doalnara, como honrar mãe e pai, respeitar os mais velhos, dividir os bens com a comunidade e trabalhar em conjunto. “O mestre se mudou para a Oásis com seus seguidores, mas evita falar com jornalistas”, conforme a reportagem.

A fazenda mantém os costumes sul-coreanos. Os moradores têm sua própria escola, onde as crianças estudam em coreano. O currículo foi desenvolvido pela própria comunidade.

Pouco terra disponível

A Coreia do Sul importa ou processa localmente 70% dos alimentos que são consumidos no país. Além da rápida industrialização, o país do Leste Asiático tem pouca terra disponível para a agricultura. Por isso, o governo tem incentivado o desenvolvimento da agricultura no exterior.

O governo financia parte das operações da Doalnara no Brasil e em outros países, incluindo as Filipinas, onde a empresa possui 225 hectares; os Estados Unidos, com 64 hectares; e o Quênia, com 15 hectares. A empresa tem 3,5 mil funcionários em todo o mundo.

Leia mais aqui.

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: