Agricultores do oeste baiano recuperam nascentes de rios

As nascentes dos rios dos municípios de Cocos, Formosa do Rio Preto e Jaborandi, no oeste da Bahia, foram recuperadas no mês passado. A ação faz parte de capacitação promovida por meio de parceria entre a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e prefeitura da região, um dos principais polos de produção agrícola do país.
A iniciativa resultou no diagnóstico, na recuperação e na proteção das nascentes. Os agricultores investirão, por meio de recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), R$ 500 mil, ao longo deste ano, para atender os municípios do oeste baiano.
“Já estamos vendo a água jorrar. Isso renova nossas esperanças de termos uma fonte de água permanente para o nosso dia a dia”, disse Doutor do Arroz, um dos moradores da localidade do Arroz de Cima, em Formosa do Rio Preto, onde o curso foi realizado entre os dias 11 e 13 de junho.
Para Renê Rodrigues, morador da localidade de “Jaborandizinho”, que fica próximo à nascente recuperada em Jaborandi, a ação de proteger as nascentes deveria ocorrer em outros lugares. “Gostaria que todo mundo se conscientizasse e fizesse o mesmo para proteger as nascentes”, comentou ele, que participou do curso no dia 30 de junho.
Em Cocos, onde o curso foi realizado entre os dias 26 e 28 de junho, o secretário de Meio Ambiente, Agenor Neto, informou que foi recuperada uma nascente do rio São José, mais conhecido como Rio de Cocos. “A nascente fica a dois quilômetros da cidade. O riozinho é uma riqueza, pois muita gente vive das hortas que são plantadas nas suas margens. O curso foi excelente, veio em um momento muito propício nesse período de seca.”
O secretário de Meio Ambiente de Jaborandi, Dalmir Alves das Neves, ressaltou que a parceria com a Abapa e Aiba é o diferencial para que a ação se mantenha como política de preservação ambiental do município. “A união entre os agricultores e o poder público é fundamental para ajudar a impulsionar o projeto”.
Segundo o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, no oeste da Bahia, não há motivo para diferenciar a produção agrícola do meio ambiente. “Os produtores estão fazendo sua parte e apoiando projetos como o de recuperação de nascentes e respeitando as áreas de reserva legal e preservação permanente.”
Um estudo da Embrapa, assinalou Busato, comprova que os agricultores são os que mais preservam o meio ambiente. Conforme o levantamento da Embrapa, 64% do cerrado do oeste baiano está preservado, sendo que a maior parte das áreas fica em propriedades dos produtores.
Os agricultores baianos também têm parcerias, por meio da Aiba e da Abapa, com as prefeituras de Barreiras, São Desidério e Wanderley, onde já foram protegidas e revitalizadas nascentes de rios desde o início de fevereiro.
Da redação, com Aiba

