Cultivares de grão-de-bico são testadas e aprovadas por produtores de MT

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Foto: Robson Cipriano/Embrapa/Arquivo

O grão-de-bico chegou por último entre os cultivos desenvolvidos no município de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, mas vem demostrando que veio para ficar. Isso ficou evidente durante o Dia de Campo de Grão-de-Bico, que reuniu produtores, técnicos e representantes de empresas públicas e privadas, na fazenda Nossa Senhora Aparecida, para avaliar os resultados alcançados pelos materiais testados, com destaque para a cultivar BRS Aleppo, que leva a assinatura da Embrapa Hortaliças (Brasília-DF).

E o desempenho da leguminosa não frustrou quem apostava em novas alternativas de plantio no município, maior produtor de milho pipoca e de girassol do país – a média de produtividade do grão-de-bico, acima de 30 sacas por hectare, confirmou os primeiros prognósticos e animou os produtores, a exemplo de Antônio Brólio, que confessa “estar bastante animado e ainda aprendendo a lidar com a cultura”, já que esse foi o primeiro ano de cultivo em sua propriedade.

“Normalmente, planto milho em janeiro e fevereiro, o girassol entra em março e, no final de fevereiro deste ano, plantei o grão-de-bico numa área de sequeiro de 230 hectares e colhi 1.950 quilos por hectare, o que me motivou a plantar mais 70 hectares, dessa vez com pivô de irrigação para testar”, informa o produtor.

Para o pesquisador Warley Nascimento, chefe-geral da Embrapa Hortaliças e coordenar do programa de melhoramento genético de leguminosas, a cultura passou “com louvor” nos testes. Um sucesso que ele credita à confiança dos 20 produtores que se dispuseram a plantar as cultivares de grão-de-bico, após a colheita do milho, da soja e do algodão, realizada nos meses de março e abril.

Segundo Nascimento, as produtividades médias de um pouco mais de 30 sacas por hectare confirmaram o acerto da aposta com a leguminosa que, ao contrário de outras culturas, não exige grandes aportes de água ao longo dos quatro meses de seu ciclo de produção – o plantio é feito em março, período não recomendado para culturas como o milho, por exemplo.

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Foto: Warley Nascimento/Embrapa

Avanços consolidados

Para Alex Ferrari, agrônomo e gerente técnico do Grupo Ferrari, empresa que coordena os trabalhos com o grão-de-bico na região, o desempenho da leguminosa avaliado em campo, no dia 10 de julho último demonstrou a viabilidade da produção da leguminosa do Mato Grosso.  “Foram dois anos de pesquisas sobre essa possibilidade, num trabalho conjunto com o pesquisador Warley Nascimento e o produtor Osmar Artiaga, que produz grão-de-bico em Goiás”, lembra Ferrari.

Após a confirmação da viabilidade de cultivo em MT, a etapa seguinte envolveu o plantio com duas ou três cultivares em uma área de 60 hectares, “que, conforme apontaram os resultados, em breve serão expandidos, o que deve tornar o estado de Mato Grosso referência na produção dessa leguminosa”, diz o gerente.

As pesquisas de melhoramento genético que vêm sendo desenvolvidas, as novas cultivares e as boas oportunidades surgidas com o uso do grão-de-bico na diversificação de cultivos, a exemplo do município mato-grossense, serão discutidas durante a segunda edição do Seminário sobre Hortaliças Leguminosas, nos dias 30 e 31 de agosto próximo, na Embrapa Hortaliças.

Da redação, com Embrapa Hortaliças

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