Brasil é 13º exportador mundial de peixes ornamentais

peixe ornamental pixabay
Brasil tem espaço para crescer no mercado de peixes ornamentais – Foto: Pixabay

Pequenos e coloridos, os peixes ornamentais estão presentes em milhares de casas brasileiras. São o quarto pet preferido dos brasileiros e sua procura cresce a cada ano. No entanto, o país ainda tem muito a avançar nesse mercado, dominado pelos tigres asiáticos (Taiwan, Cingapura, Coreia do Sul e Hong Kong).

Os dados do setor são tão contrastantes quanto as cores dos peixes de aquário. Enquanto países como China são ávidos em pedidos de patentes no setor, com milhares de registros, a participação do Brasil no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) não passa de algumas dezenas.

Segundo o International Trade Centre de 2016, Singapura fatura por ano U$ 44.205 mil em exportação de peixes ornamentais – o pequeno país asiático ocupa a liderança no ranking. Em contrapartida, o Brasil ocupa apenas o 13º lugar, com U$ 6.570 mil em exportações.

Esses e outros números foram apresentados pela Embrapa no terceiro dia do Aqua Ciência 2018, congresso que reúne alguns dos maiores especialistas em aquicultura do país em Natal (RN), até esta sexta-feira (21).

O mercado interno, por sua vez, apresenta números subdimensionados. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), a quantidade de peixes ornamentais no país é de 18 milhões, enquanto o número de cachorros chega a 52,2 milhões e o de gatos, 22,1 milhões.

Para o pesquisador Fabrício Rezende, da Embrapa Pesca e Aquicultura, esses números estão subdimencionados. “Há naturalmente uma dificuldade muito maior de se calcular o número de peixes ornamentais e acreditamos que na verdade essa quantidade seja bem maior”, observou ele, durante a palestra “Panorama da Aquicultura Ornamental”, nessa quarta-feira (19).

Melhoramento genético

O Brasil tem hoje 725 espécies liberadas para comercialização, das mais de 4 mil catalogadas na fauna local, e figura entre os principais países com alta variedade de espécies de finalidade ornamental e de aquarofilia, ao lado de China, Alemanha, Singapura e EUA.

As espécies de maior valor entre os aquariofilistas são típicas do Brasil, como a raia (Potamotrygon sp.), natural da Amazônia. Atualmente, o Pará é o estado que mais exporta, mas o Ceará é o que mais fatura no preço do peixe, que fica na média de U$ 42,19 a unidade.

De acordo com Rodrigo Fujimoto, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, o Brasil precisa investir mais em melhoramento genético. “O país exporta ciclídios selvagens para a China e depois importa esses peixes com outras cores, outras matizes e muito mais caros, pois passaram por melhoramento genético. Até quando vamos ficar assim?”, questionou ele, ao fazer palestra sobre o tema “Inovações Tecnológicas em Aquicultura Ornamental.”

Ele destacou a importância de haver espaço para a pesquisa básica para que ela apresente inovações antes mesmo de surgir demandas de mercado. “É o caso dos peixes transgênicos GoFish, com material genético extraído de corais e algas marinhas, que geram animais em várias cores florescentes. Esse foi o típico caso em que a academia gerou um produto e ele passou a ser demandado pelo mercado. Antes ele nem sonhava com um produto assim, mas depois passou a consumi-lo”, enfatizou. Segundo Fujimoto, isso só é possível quando a ciência não trabalha apenas para atender aos anseios do mercado.

O pesquisador lamentou a tímida participação do Brasil com pedidos de patente na área de aquicultura ornamental, com apenas 57 processos e 24 em piscicultura no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). “Uma pesquisa no Google Patentes revela 52 mil registros, sendo a maioria da China. O mundo está inventando. O Brasil inventa, mas não consegue proteger seus inventos”.

A falta de valorização do conhecimento nacional, a ausência de marketing ou marketing negativo, além da desunião dos elos da cadeia de aquicultura ornamental são alguns dos principais problemas que prejudicam o desenvolvimento do país no setor, assinalou Fujimoto. Para Fabrício Rezende, a legislação também prejudica. “Há uma desconexão de necessidades de mercado e a legislação vigente e isso tem sido um entrave para o desenvolvimento desse mercado no Brasil.”

Da Embrapa Pesca e Aquicultura

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