Aprosoja defende fim do acordo da Moratória da Soja na Amazônia

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Aprosoja diz que trabalha para acabar com a Moratória da Soja – Fabiano Bastos/Embrapa

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) quer que as tradings atendam a legislação ambiental brasileira, que “é a mais restritiva do mundo, uma vez que o produtor preserva de 35% a 80% de sua propriedade para cumpri-la, sem sequer ter algum auxílio para tanto”. A entidade também entende que o “acordo da Moratória da Soja na Amazônia, que envolve as principais tradings e Organizações Não-Governamentais (Ongs), tem desrespeitado a legislação brasileira e causado enormes prejuízos à imagem dos produtores rurais”. Por isso, defende o fim do acordo.

O assunto foi debatido, nessa terça-feira (16), durante reuniões entre o presidente da Aprosoja, Antonio Galvan, o vice-presidente, Fernando Cadore, o consultor técnico da associação, Wanderlei Dias Guerra, e representantes de três grandes tradings: Cofco, ADM e Cargill.

Por meio de nota, a Abrosoja destaca que, atualmente, tem sido levado em consideração pelas tradings, em regiões com o bioma amazônico, o acordo chamado Moratória da Soja na Amazônia. No entanto, reforça a entidade, esse acordo é prejudicial ao setor e ao país.

“Mesmo aqueles que, no passado ou recentemente, abriram legalmente suas áreas ou até os produtores que utilizam pastagens degradadas para plantar soja dentro do bioma Amazônia – o que contribui pra melhorar a produtividade dos rebanhos – têm sido severamente punidos, incluindo restrições em seus CPFs para outras áreas que estejam em seu nome, um completo absurdo”, afirma Galvan.

“A Moratória da Soja, além de agir na ilegalidade, macula a imagem de nossos associados. É um movimento ideológico que, na verdade, tem servido para fazer restrições comerciais, um verdadeiro atentado a nossa soberania”, protesta o presidente da Aprosoja.

O consultor técnico da Aprosoja, Wanderlei Dias Guerra, lembra que a legislação ambiental brasileira é a mais restritiva do mundo e é preciso segui-la. “Para piorar a situação, já há um movimento para estender a moratória para o Cerrado, o que definitivamente não iremos aceitar. Já atendemos a legislação mais restritiva do mundo, somos o país que mais conserva a biodiversidade no planeta e ainda querem nos impor mais restrições. Isto é inaceitável, um movimento lesa-pátria”, enfatiza.

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Associação pede respeito à legislação ambiental brasileira pelas tradings – Divulgação/Aprosoja

Galvan acrescenta que, no sistema atual, quem tem perdido são os produtores rurais. “Por enquanto, o que pedimos é simples: o atendimento da legislação brasileira. Estamos trabalhando para o fim desta moratória que só serve para o interesse de Ongs, de alguns mercados que exigem e, além de não terem a décima parte de nossa conservação ambiental, alimentam um sistema de certificação onde somente os intermediários ganham e o produtor rural brasileiro fica com o enorme ônus da proteção das florestas”, pontuo o presidente da Aprosoja.

O vice-presidente da entidade, Fernando Cadore, complementa que é preciso legitimar a produção nacional. “Nós, da Aprosoja somos legalistas, não defendemos produtor que esteja na ilegalidade, apenas exigimos que prevaleça o que está na nossa legislação, nada além disso. Passou da hora de o mundo enxergar a legitimidade da produção ambientalmente sustentável do Brasil”, enfatiza Cadore.

“O nosso programa Soja Plus se encarrega de ampliar nossa enorme sustentabilidade, continuamos a orientar nossos produtores para fazer o melhor, sempre dentro da legalidade”, destaca Antonio Galvan, na nota da Aprosoja.

Nos encontros também foram discutidos outros dois importantes temas que vêm sendo analisados pela Aprosoja. Um é o novo modelo de classificação de grãos, por meio do qual a soja seja remunerada pelos teores de proteína e óleo. O outro é a construção da Ferrogrão, projeto que a associação tem trabalhado para que os produtores sejam sócios do empreendimento junto com as tradings e outros parceiros privados.

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