Venda de algodão brasileiro para China e Turquia deve aumentar

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Missão Vendedores 2018 estreita relações com mercados turco e chines – Abrapa/Divulgação

Estoques em baixa, consumo em alta e expectativa de aumento das importações de pluma de algodão pela China, além da previsão do Brasil se tornar o segundo maior exportador mundial da fibra na safra 2018/2019. Esse foi o contexto em que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promoveu a Missão Vendedores 2018, neste mês, na Turquia e na China.

A missão é uma iniciativa de marketing e prospecção de novos mercados para o algodão brasileiro, que consiste em reuniões com industriais e traders, visitas aos polos de têxteis e eventos promovidos pela Abrapa in loco. Nos Brazilian Cotton Days, a entidade apresenta os números da cotonicultura e os programas que vêm sendo desenvolvidos no país para incrementar a qualidade, a sustentabilidade, a rastreabilidade e a transparência nos dados de classificação instrumental de fibra, visando a reforçar a confiança dos compradores da commodity.

A agenda da delegação brasileira, formada por dirigentes da Abrapa, representantes dos maiores estados produtores de algodão do Brasil, começou por Kahramanmaras, na Turquia, no dia 8 de outubro, quando o grupo se reuniu com cerca de 30 empresários. Hoje, a Turquia é um dos maiores importadores e consumidores de algodão no mundo. Na safra 2017/2018, o país foi o quarto maior importador e o sexto maior consumidor mundial da fibra. O Brasil exporta, em média, 76,5 mil toneladas para a Turquia, o equivalente a 9,5% das importações de algodão daquele país. Para 2018/2019, a Turquia deve consumir 15% a mais de algodão, com incremento previsto de 1% nas importações.

“Trata-se de um mercado muito interessante para o algodão brasileiro, uma vez que os estoques deles estão diminuindo: serão, aproximadamente, 9% menores na próxima safra. A Missão Vendedores nos permite estreitar laços para suprir as demandas futuras. Mesmo sem ter ainda dados consolidados, já temos notícias de que negócios com a pluma do Brasil foram realizados imediatamente após o nosso Brazilian Cotton Day. Há muito espaço para incremento de participação no mercado turco”, afirma o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura. Além das reuniões, o grupo visitou uma fiação em Kahramanmaras.

Na China, a passagem da Missão Vendedores foi dividida em três etapas. As primeiras, já cumpridas em Xangai e Qingdao, respectivamente, nos dias 11 e 12 de outubro. A segunda foi na terça-feira (16), em Hong Kong, onde a Abrapa promoveu o Brazilian Cotton Day, nos dias 17 e 18 de outubro. Na sequência, a associação participou da Conferência Anual da International Cotton Association (ICA).

Além das reuniões, que contaram com grande presença de empresários chineses, uma das paradas do grupo foi no Sunvim Group, maior fabricante de artigos de cama, mesa e banho chinês, que exporta para diversos mercados, principalmente, americanos e europeus. A Sunvim consome uma média de 100 mil toneladas de pluma por ano, mas ainda não compra do Brasil. Representantes do grupo estiveram nas reuniões.

A China é o maior consumidor de algodão do mundo. São, em média, 8,8 milhões de toneladas ao ano. Seu consumo cresceu em torno de 15%, da safra 2016/2017 para a 2017/2018. O país está, gradativamente, liberando os estoques que mantinha, “frutos de uma cara política de proteção da indústria nacional”, segundo o presidente da Abrapa. Dados do ICAC apontam que essa redução foi superior a 19%. “Tudo isso, mais a divergência com os Estados Unidos, cria um cenário muito positivo para o algodão do Brasil”, diz.

Compromisso

Moura afirmou que, em todos os encontros com o mercado comprador na Turquia e China, a Abrapa evidenciou seus esforços para garantir a credibilidade nas negociações com a pluma brasileira. “Nosso compromisso é com a transparência nas informações. Prova disso é que implantamos o programa Standard Brasil HVI, que padroniza e harmoniza os resultados nos laboratórios de classificação por High Volume Instrument (HVI). Esse programa é integrado a um grande banco de dados e ao Sistema Abrapa de Identificação (SAI), o que dá segurança tanto para quem compra quanto para quem vende o algodão brasileiro. Além disso, evidenciamos o trabalho do nosso Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), que está em processo final de certificação internacional e garante a fidedignidade dos resultados laboratoriais. Também insistimos muito no grande diferencial da sustentabilidade do algodão brasileiro, assegurado hoje pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR)”, conclui Arlindo Moura. No Brasil, o ABR opera em benchmarking com o protocolo Better Cotton Initiative (BCI), referência internacional em atestar a sustentabilidade da pluma.

 

 

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