Novo ministro da Agricultura, perfil técnico e facilidade de diálogo

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Nome do futuro ministro da Agricultura ainda não foi definido – Divulgação

Por João Carlos Rodrigues/AGROemDIA

O futuro ministro da Agricultura – independentemente ou não da fusão com o Ministério do Meio Ambiente, proposta que parece ter sido descartada, segundo o próprio presidente eleito Jair Bolsonaro – não deverá ser apenas alguém de reconhecida competência e liderança no agronegócio, mas precisará ter disposição para o diálogo, a fim de aparar arestas existentes entre setores rurais que há algum tempo tem mostrado pouco sintonia. Neste contexto, um nome de perfil mais técnico pode ganhar força.

A escolha de Bolsonaro deverá ter um mínimo de unanimidade para não descontentar grupos de produtores rurais que estiveram com ele desde o início da campanha, quando poucos acreditavam na sua eleição. Em sua caminhada rumo ao Planalto, o presidente eleito teve forte apoio espontâneo da chamada base produtora e de alguns parlamentares antes mesmo que a representação do agro no Congresso Nacional oficializasse sua adesão.

Os ruídos entre setores do agronegócio ficaram mais evidentes no 1º semestre deste ano, quando da tramitação do projeto de lei de parcelamento das dívidas do Funrural. De um lado, estava parte significativa da bancada ruralista, que apoiou a proposta acertada com o governo. Do outro, havia um grupo produtores rurais e alguns parlamentares que defendiam não só a ampliação do prazo de adesão ao parcelamento, mas a própria extinção do passivo.

Em determinado momento, a tensão chegou a tal ponto que foi preciso uma reunião na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para acalmar os ânimos. No encontro, lideranças mais experientes do setor não só pediram coesão ao setor, mas lembraram de sua trajetória de luta em defesa das causas rurais para pedir harmonia no encaminhamento da proposta do Funrural.

Por certo, este cenário não é desconhecido de Bolsonaro, que sempre teve relação com o setor agropecuário e conseguiu apoio quase unânime entre os produtores. Agora, o desafio do presidente eleito é indicar para o Ministério da Agricultura alguém que tenha boa aceitação entre as principais representações institucionais do agro e a base produtora.

Bolsonaro sabe da importância do setor – algo que não cansa de destacar – não só na oferta de alimentos para o Brasil e o mundo, mas também para geração de emprego e renda, aumento das exportações, garantia do saldo da balança comercial e da sustentabilidade ambiental. Logo, a pressa não é boa parceira, neste momento, para o presidente eleito, cujas escolhas para o ministério têm sido recebidas com entusiasmo, como a indicação do juiz federal Sérgio Moro para o superministério da Justiça.

Na bolsa de apostas, há muitos nomes para o Ministério da Agricultura, mas os apostadores estão cautelosos, o que também é justificável e reforça o reconhecimento de que o agro é estratégico para o país e, por isso, não pode ter seu principal porta-voz na administração pública escolhido sob pressão.

Uma coisa é certa: o futuro ministro precisará ter espírito de liderança, reconhecida capacidade técnica e facilidade para o diálogo para conduzir a nova etapa que o agro brasileiro viverá partir de 1º janeiro de 2019, quando o setor espera ter condições para produzir sem os entraves burocráticos que hoje prejudicam a atividade e com segurança pública e jurídica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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3 comentários em “Novo ministro da Agricultura, perfil técnico e facilidade de diálogo

  • 4 de novembro de 2018 em 22:12
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    Melhor Candidato para Assumir Ministério Deputado Federal Jerónimo Georgem

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  • 5 de novembro de 2018 em 10:41
    Permalink

    Sou um produtor rural e gostaria que o novo ministro da agricultura e meio ambiente não tenha vínculo partidário,pois isto prejudica o desenvolvimento deste setor que sustenta todos desta nação brasileira. E além disso toda a equipe deste ministério tem que ter o mesmo perfil do futuro ministro.

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