Cepea muda metodologia de cálculo do preço do leite ao produtor

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Natália Grigol, pesquisadora do Cepea: Principal mudança é na coleta de dados – Divulgação

Natália Grigol*

Buscando diminuir os riscos envolvidos na comercialização, aumentar a transparência e estimular relações de médio a longo prazos, produtores de leite, indústrias e cooperativas do setor têm recorrido cada vez mais ao uso, especialmente nos últimos cinco anos, de referências de preços nas negociações do leite.

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), da USP (Universidade de São Paulo), levanta preços de leite ao produtor há 24 anos. Atualmente, o total de leite negociado das empresas amostradas pela pesquisa do Cepea nos estados de Goiás, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul corresponde a cerca de 76,3% do volume para os mesmos estados da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE [1]. Por conta disso, o trabalho do Cepea tem ganhado visibilidade e auxiliado na tomada de decisão e no planejamento de agentes do setor.

Diante das transformações do sistema agroindustrial do leite e das novas demandas que têm surgido para melhorar a acurácia do levantamento, o Cepea adotará uma nova metodologia de cálculo do preço do leite ao produtor a partir de janeiro de 2019.

A principal mudança metodológica será a forma de coleta de dados, que passará a ser realizada de modo desagregado. Isso significa que, todo mês, os colaboradores cadastrados encaminharão via e-mail ao Cepea o preço líquido pago ao produtor (sem frete nem impostos) e o volume captado de cada um de seus produtores, assim como a cidade em que o produtor está localizado (utilizando-se como base o código do IBGE para o referido município). Além disso, os colaboradores também enviarão o valor médio de frete. Essa coleta desagregada permitirá ao Cepea calcular as médias de preços de forma padronizada entre os colaboradores. Assim, será possível agrupar os dados de acordo com o município em que o produtor está localizado, refletindo com mais exatidão as médias de preços mesorregionais.

Também será possível agregar os dados conforme os estratos de produção, ou seja, de acordo com a captação diária do produtor. Sabe-se que podem ser grandes as diferenças de qualidade do leite e consequentemente do preço líquido praticado.

Na metodologia a ser utilizada até 31 de dezembro de 2018 são calculados os preços mínimos, máximos e médios. Com a nova metodologia a ser implementada a partir de 1º de janeiro de 2019, o Cepea passa a calcular o preço médio do menor estrato de produção (definido como a média ponderada dos preços pelos volumes negociados com produtores cuja captação diária seja menor ou igual a 200 litros de leite por dia) e um valor médio do maior estrato de produção (definido como a média ponderada dos preços pelos volumes negociados com produtores cuja captação diária seja maior que 2.000 litros de leite por dia). Será divulgado, também, o preço médio ponderado considerando todos os estratos produtivos.

Os cálculos das médias estaduais também passarão por mudanças, tendo como base a ponderação dos preços mesorregionais pela participação do respectivo volume em relação ao total captado no estado. Para isso serão utilizadas informações de volume colhidas pelo Cepea e não mais as originárias da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, que apresentavam defasagem de divulgação que impunha a utilização do volume produzido de dois anos anteriores à pesquisa.

O mesmo vale para a “Média Brasil”, que deixará de ser ponderada pelos volumes da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL) do IBGE e passará a utilizar a própria amostra do Cepea para seu cálculo.

Testes

Com o apoio financeiro e parceria dos associados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Viva Lácteos (Associação Brasileira de Laticínios), o Cepea, desde fevereiro de 2018, aplica essa nova metodologia em paralelo à atual, como uma forma de teste (“piloto”). Os resultados têm sido satisfatórios. Na opinião de agentes de mercado e de pesquisadores do Cepea, a nova metodologia deve elevar a qualidade e a acurácia dos dados.

Agora, o desafio é ampliar a rede de colaboradores para mitigar, ainda mais, as assimetrias de informações e viabilizar a divulgação de médias de preços para outras importantes mesorregiões produtoras de leite. Como resultado, espera-se gerar dados mais estratégicos para o setor e contribuir para o processo de coordenação do sistema agroindustrial do leite, que vem ganhando força ano a ano.

[1] Aqui considera-se o 1º semestre de 2018 e analisa-se a soma dos volumes amostrados pela pesquisa do Cepea neste período frente à soma dos volumes registrados pela PTL nos estados de GO, BA, MG, SP, PR, SC e RS.

*Pesquisadora da Equipe Leite do Cepea/cepea@usp.br

** Publicado originalmente no site do Cepea em 11/12/2018

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

2 comentários em “Cepea muda metodologia de cálculo do preço do leite ao produtor

  • 7 de janeiro de 2019 em 22:51
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    Qual dia do mês sairá o valor do leite. Temos uma associação de produtores de leite média diária de 10.500 litros em qual devemos olhar .

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  • 19 de janeiro de 2019 em 21:41
    Permalink

    Se nao melhor o preco do leite os prudotores vao para d tirar leite …..pq muito trabalho muito gasto baixo o preco o minimo d 1 lt d leite deveria ser 1,60$ pq na minha propidade 1 lt d leite custo 1,28$ trato muito cara d mas fora quando Uma vaca morre ou da algum poblema dia a dia no campo nao e facil

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