“Fígados verdes”

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Waldir Leite Roque, professor titular da Universidade Federal da Paraíba – Divulgação

Waldir Leite Roque*

 A ciência busca o conhecimento e a solução de problemas práticos do nosso dia a dia. Ela segue uma trajetória sinuosa e praticamente no escuro, a base de seu desenvolvimento vem do passado e da intuição dos pesquisadores, sendo muito dos seus avanços alcançados através de tentativas e erros.

A ciência é feita pelos seres humanos e para benefício dos seres humanos, direta ou indiretamente, podendo naturalmente ter sucesso ou falhas, e, mesmo quando tem sucesso, muitas vezes os resultados podem ser usados para o bem ou para o mal.

Atualmente, estamos vendo muitas discussões, as quais estão ainda muito limitadas à comunidade acadêmica, sobre a engenharia genética, que são técnicas capazes de modificar a estrutura genética de seres vivos para fins de correções e melhorias, buscando com isso evitar doenças ou introduzir características que resultem na adaptação de plantas e animais a determinadas condições ambientais, por exemplo.

A agricultura vem se beneficiando de tais modificações genéticas, mas o recente caso relatado por um pesquisador chinês sobre o nascimento de gêmeas que tiveram os genes modificados para torná-las menos suscetíveis ao vírus HIV casou perplexidade e preocupação na sociedade, em geral.

Por outro lado, há casos interessantes onde a modificação genética pode trazer grandes benefícios. Uma publicação acadêmica recente mostra os resultados de um estudo sobre a modificação do DNA da planta Epipremnum aureum, popular jibóia, muito utilizada na ornamentação de interiores, por um DNA de coelho, tornando-a com uma capacidade de remover do ar carcinogênicos orgânicos voláteis (VOC) muito superior a de outras plantas.

Dentre os VOCs, o benzeno, proveniente da queima de combustíveis fosseis e da fumaça dos cigarros, ou mesmo o formaldeído e clorofórmio, presentes em alguns produtos de uso doméstico, são classificados como de maior risco dentro de casa.

As plantas ornamentais de interiores são reconhecidas por sua capacidade de absorver poluentes do ar em ambientes confinados. Esta propriedade de remover poluentes xenobióticos do ambiente é o princípio central da fitorremediação de poluentes, conceito que vem sendo batizado como “fígados verdes” pela ação semelhante ao processo de purificação do fígado nos animais. Portanto, nesse caso, a aplicação da genética para criação de fígados verdes nos parece bem-vinda.

*Prof. Titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

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