Governo não vai renovar tarifas antidumping do leite em pó

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Geraldo Borges, da Abraleite: Decisão ameaça destruir a cadeia do leite – Elio Rizzo/AGROemDIA

O governo federal não vai renovar as tarifas antidumping que eram aplicadas às importações de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia, disse nesta quarta-feira (6) o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges. Segundo ele, a decisão foi tomada pelo Ministério da Economia e pode fragilizar ainda mais a cadeia produtiva do leite, porque facilitará as importações do produto de países europeus e da Nova Zelândia, mercados que têm preços mais competitivos do que os praticados no Brasil.

Desde 2001, o Brasil exercia o direito antidumping, aplicado às importações de leite em pó, integral ou desnatado, não fracionado, originários da Nova Zelândia e da União Europeia. No entanto, informou Geraldo Borges, o secretário de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, entende que não há possibilidade nem indícios de dumping e resolveu não prorrogar as tarifas antidumping.

A decisão da equipe econômica, enfatizou Geraldo Borges ao AGROemDIA, expõe o setor leiteiro brasileiro a uma grande ameaça. Isso porque, observou, a Europa tem enorme volume de leite em pó em estoque e preços mais competitivos do que os praticados no Brasil. Os produtores europeus e da Nova Zelândia, acrescentou, não são tão onerados por tributos e encargos como os brasileiros e contam com incentivos governamentais para a produção.

“A qualquer momento, o produto europeu e da Nova Zelândia pode entrar aqui e destruir ainda mais a nossa cadeia produtiva “, alertou Geraldo Borges. De acordo com ele, uma eventual enxurrada de leite em pó procedente da Europa e da Nova Zelândia poderá trazer graves prejuízos a pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas e pequenos laticínios. “As tarifas antidumping eram a nossa única proteção contra a concorrência predatória.”

Geraldo Borges reiterou que a decisão do governo decepcionou a cadeia do leite, que apoiou em peso a eleição do presidente Bolsonaro e esperava medidas para se fortalecer. “Temos 1 milhão e 170 mil propriedades rurais dedicadas à pecuária leiteira. Nossos produtores já são submetidos a uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. E agora, em vez de pensarmos em exportar leite em pó, nossa preocupação é com uma possível invasão do produto de outros países.”

A recusa da equipe econômica em não renovar as tarifas antidumping do leite em pó se soma à decisão de não negociar com os países vizinhos do Mercosul, especialmente a Argentina e o Uruguai, alguma cota ou limite para frear as importações de leite em pó. Mesmo neste cenário adverso, Geraldo Borges adiantou que a Abraleite continuará fazendo gestões com o Ministério da Agricultura para sensibilizar o governo sobre a necessidade de o Ministério da Economia rever seu posicionamento.

Na tarde desta quarta-feira, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, falou com o presidente da Abraleite e prometeu manter os esforços para que a equipe econômica atenda o pedido do setor de leite para manter as tarifas antidumping. Geraldo Borges espera que isso resulte na mudança de posição do governo.

*Matéria ampliada às 16h58

AGROemDIA

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