Autocontrole: Governo prepara MP para mudar inspeção de alimentos

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Tereza Cristina: empresas devem fazer autocontrole dos alimentos – Marcelo Camargo/ABr

Da Agência Brasil

Após apresentar ao Congresso Nacional a proposta de emenda constitucional para a reforma da Previdência Social (PEC 6/19) e o chamado Pacote Anticrime, o governo vai editar uma medida provisória (MP) modificando a inspeção sanitária de alimentos de origem vegetal e animal e de produtos agroindustriais, como celulose e álcool.

A intenção do governo é que as empresas façam autocontrole da qualidade e integridade dos seus produtos antes de levá-los aos mercados interno e externo. As inspeções em diferentes cadeias produtivas incluem melhor gestão de processos nas propriedades das lavouras e de criação de animais; fiscalização dos insumos utilizados (como sementes, agrotóxicos e ração para animais), na etapa de transformação industrial e de comercialização.

De acordo com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a MP já tem uma minuta. As regras que não exigirem modificação de lei pelo Parlamento, serão alteradas por instrução normativa do próprio Ministério da Agricultura. Um comitê com técnicos e dirigentes do ministério e representantes do setor privado deverá discutir a versão final da medida, a ser enviada para aprovação de deputados e senadores.

Segundo a ministra, as empresas deverão adotar protocolos mais rígidos de inspeção direta. O Estado manterá a fiscalização e a certificação final dos produtos, mas as auditorias serão “modernizadas”, inclusive nas plantas exportadoras, que vendem para mais de 190 países.

“No sistema de autocontrole, o empresário fica responsável pela qualidade do produto que fabrica e comercializa, e o Estado fiscaliza”, afirmou a ministra em discurso na abertura do Seminário Boas Práticas de Fabricação e Autocontrole, realizado em Brasília (na sede do Tribunal de Contas da União), nessa quinta-feira (21).

Ela garantiu que o auditor fiscal “continuará responsável pela fiscalização, mas de forma mais ágil e moderna, sem a necessidade de estar presente diariamente, acompanhando a atividade rotineira das empresas”. A ministra acrescentou que “cada segmento do agronegócio terá uma definição específica de controle de sua própria produção”.

Na avaliação da ministra, o autocontrole tem que estar em todas as cadeias produtivas em que o ministério é responsável. “O Estado não tem mais pernas, o Brasil cresceu muito, a nossa economia no agronegócio é gigante e não temos mais como fazer esse controle diário, mas podemos fazer ele bem feito. O Brasil tem potencial enorme de produção, e o ministério vai ter cada dia menos perna para isso”.

Para Tereza Cristina, “o maior responsável por esse patrimônio de segurança é o dono da marca. O empresariado está consciente, e o ministério também.”

Amadurecimento mútuo

Conforme o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, José Guilherme Leal, não se trata de pensar em uma ação do Estado mais branda, fiscalização mais omissa, mas, sim, em uma forma mais inteligente de atuação, com mais informações disponíveis.

“Pensar em autocontrole é conferir mais responsabilidade ao agente econômico da produção, que deve ter capacidade de controlar seus processos, seus produtos – pensando em qualidade e segurança, cabendo regular a verificação da conformidade por diversos meios, entre eles a auditoria e fiscalização”, destacou Leal.

A iniciativa do governo foi bem recebida pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Annfa Sindical). Segundo Antônio Andrade, médico veterinário e diretor de Política Profissional da entidade, “o aperfeiçoamento do autocontrole é bem-vindo” e “será um processo de amadurecimento mútuo” do Estado e das empresas.

Ele lembra que há experiência de autorregulamentação e autofiscalização em defesa sanitária desde a década de 1970, mas para o passo que o governo pretende dar o orçamento da área (hoje de cerca de R$ 230 milhões) deverá aumentar, a fim de viabilizar investimentos em tecnologia da informação e avaliação de risco.

 

 

 

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