Estudo da Embrapa e Unicamp propõe padrão da água para pecuária

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Qualidade da água é importante para desenvolvimento da pecuária – Aianne Amado/Embrapa

Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) e da Unicamp (Limeira-SP) apresentaram proposta para estabelecer um protocolo para definição de padrões de qualidade da água para a pecuária brasileira. O trabalho foi feito a partir da análise das legislações de países que já têm padrões definidos para o consumo de água por animais. O estudo foi publicado nesta semana pela revista internacional Regulatory Toxicology and Pharmacology. 

Em nota, a Embrapa Pecuária Sudeste observa que a propriedade pecuária deve oferecer água de qualidade aos animais. “Disponibilizar água em quantidade suficiente e com qualidade garante que o animal mantenha as condições ideais de sanidade e bem-estar e produza alimentos seguros”, assinala o texto.

Segundo a nota, qualquer situação incomum relacionada à água como, por exemplo, alterações no odor, na cor e impactos negativos no desempenho e na condição de saúde dos animais, deve ser motivo para se realizar a análise da água.

“A presença de substâncias em concentrações acima do permitido na água consumida pelos animais de produção representa um risco à saúde animal e à segurança dos alimentos”, alerta a Embrapa Pecuária Sudeste.

Estudo

No entanto, poucos países têm critérios de qualidade da água específicos para os animais de produção, assinala a nota. O Brasil tem duas resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que determinam os padrões da água para consumo animal.

De acordo com a Embrapa Pecuária Sudeste, pesquisas e informações sobre os critérios de qualidade da água para a pecuária são limitados em todo o mundo. Atualmente, o Canadá é referência nessa área.

“Alguns países estabelecem valores máximos com base na ocorrência de compostos químicos em águas superficiais e subterrâneas, toxicidade para as espécies ou, ainda, aplicam os mesmos critérios de qualidade para consumo humano. O Brasil utiliza valores de outros países, que possuem realidades diferentes”, informa a nota.

Na avaliação da Embrapa Pecuária Sudeste, a importância socioeconômica da pecuária no Brasil e as constantes ameaças às fontes de água exigem o estabelecimento de métodos para determinar padrões de qualidade que considerem as realidades produtivas e ambientais do país. “O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e de aves e o quarto maior produtor de carne do mundo”, destaca a nota.

O pesquisador Julio Palhares, da Embrapa, afirma que o padrão de qualidade da água para consumo de animais é resultado da interação de vários fatores produtivos, ambientais e da química do elemento que está sendo considerado. Por exemplo, o nitrato está presente nas águas e na dieta dos animais. Dessa forma, para estabelecer um padrão para esse elemento, deve-se considerar a fisiologia animal, o tipo de dieta, o tempo de exposição e a dinâmica química do nitrato.

A aplicação direta dos padrões de qualidade da água para consumo humano em animais não é considerada apropriada pelos pesquisadores. Eles sugerem que os estudos toxicológicos para o estabelecimento dos padrões de qualidade da água para as espécies animais deveriam considerar as realidades da pecuária, ou seja, levar em conta o tempo de vida dos animais de produção.

“Em vez de usar padrões de qualidade da água para humanos na ausência de dados toxicológicos suficientes, os padrões poderiam ser baseados em dados toxicológicos de animais experimentais de duração menor usando a proporção de peso corporal/ingestão diária de água”, explica Simone Valente-Campos, da Unicamp.

Padrão brasileiro

O estabelecimento de padrões próprios, com base científica e transparente, seria benéfico para a saúde única do sistema, que inclui a saúde humana, animal e ambiental.

Há vários estudos brasileiros que mostram a contaminação da água por substâncias, incluindo pesticidas, hormônios, fármacos, antibióticos e fertilizantes. “A determinação de padrões de qualidade da água para os animais não é uma tarefa fácil, mas o protocolo proposto pelo grupo de pesquisa fornece a base para que estudos nacionais sejam desenvolvidos, tendo como resultados padrões específicos para o consumo de água pelos animais”, ressalta Julio Palhares.

Da redação, com Embrapa Pecuária Sudeste

 

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