Por causa do Funrural, Jerônimo deixa a Comissão de Endividamento da FPA

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Deputado Jerônimo Goergen está insatisfeito com rumos da negociação do Funrural                              Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Incomodado com a falta de um posicionamento mais forte em defesa da remissão do Funrural, o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS) renunciou nesta quarta-feira (12) ao cargo de coordenador da Comissão de Endividamento Rural da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). “Os temas do Funrural e do endividamento não têm o aval político que eu considero necessário para a gente poder seguir em frente e termos medidas que tragam uma solução”, disse o parlamentar gaúcho, em vídeo divulgado via WhatsApp.

Jerônimo Goergen fez o anúncio no fim da tarde, pouco depois de participar de reunião do grupo tributário do Instituto Pensar Agro (IPA), convocada pela Aprosoja e Abrafrigo para tratar de remissão do Funrural. O presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), segundo o parlamentar progressista, também participou do encontro.

“Eu disse a ele [o presidente da FPA] sobre a minha contrariedade com a forma com que muitas vezes esse assunto tem sido tratado e anunciado pelo presidente da República [Jair Bolsonaro]. Já foi anunciado pela ministra da Agricultura [Tereza Cristina] e por ele [Alceu Moreira] e até agora não temos a solução”, enfatizou.

O parlamentar do PP acrescentou: “Se é pra que eu siga sozinho lutando nesse assunto, prefiro não atrapalhar os trabalhos da frente parlamentar, não sendo inoportuno, porque eu considero que as teses principais do agricultor não são as teses que estão sendo priorizadas no grupo”.

O deputado progressista esclareceu que deixou apenas a Comissão de Endividamento Rural, mas continua como membro da FPA.  “Deixo apenas a diretoria e deixe claro minha posição: da forma como está sendo conduzido [o assunto], o produtor e os adquirentes vão acabar pagando o Funrural integralmente agora.”

No vídeo, Jerônimo Goergen lembra ainda que muitos agricultores e pecuaristas não pagaram o Funrural por achar que o governo resolveria a questão. “Muitos não aderiram ao Refis [Rural] no fim do ano porque o presidente Bolsonaro, já eleito, reafirmou que haveria remissão do passivo.”

Endividamento rural

Ele afirmou também que considera ter feito o que precisa para solucionar o problema. “Eu fiz a minha parte, o PL [projeto de lei] 9252 [que propõe a remissão do passivo] está aí como uma possibilidade. É só o governo dar o aval político e votarmos. Mas, enquanto o governo fica tergiversando sobre esse assunto, não posso fazer de conta que as coisas estão indo bem. Não estão.”

O parlamentar progressista também fez um relato sobre as providências já encaminhadas para equacionar o endividamento rural:

“No tema do endividamento, nós vãos ter a medida provisória que cria o Fundo de Aval Fraterno, conseguimos a linha [de crédito] do BNDES, que eu espero que destrave, temos a nova linha de giro do BNDES, que virá com o Plano Safra, e algumas outras medidas que a gente construiu ao longo dos últimos anos, com muita dificuldade.”

De acordo com a Abrafrigo, a FPA A FPA vai continuar a defender o pleito junto ao governo, mas não há garantias de que seja feita a remissão do Funrural. Ao mesmo tempo, as entidades representativas do setor rural vão elaborar e apresentar uma proposta que seja viável para resolver o problema.

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