Matopiba: Aprosoja Brasil contesta decisão da multinacional Cargill

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A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) contesta a decisão da multinacional Cargill de investir US$ 30 milhões para preservação do cerrado, visando evitar o desflorestamento da região. Em nota divulgada nesta quinta-feira (13), a entidade diz não ver motivos que justifiquem a iniciativa da empresa.

“A verdade é que o cerrado do Matopiba não está ameaçado. Mas as pessoas, sem o benefício do desenvolvimento econômico, ficarão ameaçadas pela pobreza e desnutrição, pela falta de oportunidades, de emprego e de qualidade de vida”, afirma a Aprosoja Brasil.

Segundo a entidade, a produção de soja no cerrado brasileiro é um caso de sucesso não apenas pelo impacto econômico extremamente positivo para o desenvolvimento do país, mas também pela sustentabilidade social e ambiental desta produção.

“Antes de se falar em recursos vindos do exterior para reduzir a produção de grãos do país, é preciso entender com mais profundidade e conhecimento técnico o modelo de produção brasileiro, definido por leis rígidas nas áreas ambiental, fundiária, trabalhista e tributária”, destaca a entidade.

Abaixo, a nota da Aprosoja Brasil:

Posicionamento da Aprosoja Brasil sobre a produção no Matopiba

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja – APROSOJA BRASIL, representando produtores associados em 16 estados, especialmente os do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), não encontra motivos que justifiquem a decisão anunciada pela multinacional Cargill de investir US$ 30 milhões para fins de preservação do bioma cerrado com o objetivo de evitar o desflorestamento da região.

Vamos aos fatos. Há vinte anos, sem a produção de soja, os municípios da região chamada de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) se encontravam em situação de extrema pobreza. Não havia acesso de infraestrutura, poucas casas eram feitas de alvenaria e não havia oferta de bens e serviços básicos à população.

Vinte anos mais tarde, a região floresceu e a pujança do agronegócio, na contramão das políticas públicas e falta de incentivos, mudou esse panorama. Cidades que “não existiam” hoje são polos produtores e exportadores, com grande geração de empregos e serviços variados ligados ao agronegócio.

Foram criados milhares de postos de trabalho diretamente nas propriedades e indiretamente nas revendas de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas, além de hotéis, restaurantes, supermercados, farmácias e butiques, algo nunca visto antes. Tudo isso ocorre com a preservação de 73% da área do cerrado da região e com uma agricultura que não ocupa nem 7% deste território, segundo dados já divulgados pela Embrapa. Ou seja, trata-se de uma produção altamente eficiente e sustentável.

É evidente que nos municípios em que a soja e o milho são plantados a vida das pessoas melhorou se comparado ao que era antes da chegada da agricultura tecnificada. Nestes, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais que dobrou, conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Não fosse os agricultores que lá estão, não haveria nenhum modelo de desenvolvimento sendo adotado para os municípios da região.

A verdade é que o cerrado do Matopiba não está ameaçado. Mas as pessoas, sem o benefício do desenvolvimento econômico, ficarão ameaçadas pela pobreza e desnutrição, pela falta de oportunidades, de emprego e de qualidade de vida.

A produção de soja no cerrado brasileiro é um caso de sucesso não apenas pelo impacto econômico extremamente positivo para o desenvolvimento do país, mas também pela sustentabilidade social e ambiental desta produção.

Portanto, antes de se falar em recursos vindos do exterior para reduzir a produção de grãos do país, é preciso entender com mais profundidade e conhecimento técnico o modelo de produção brasileiro, definido por leis rígidas nas áreas ambiental, fundiária, trabalhista e tributária.

AGROemDIA

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