Professores do ensino agrícola buscam novos métodos pedagógicos

 

encontro professores tecnicos agricolas rs Palestra Ricardo - Crédito Ton Silva Divulgação
Professor Ricardo Rodrigues no encontro em Porto Alegre – Tom Silva/Divulgação

Cerca de cem pessoas participaram do 34º Encontro Estadual de Professores e 7º Congresso Nacional de Ensino Agrícola, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. Organizados pela Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea) e Federação Nacional de Ensino Agrícola (Fenea), os eventos trataram de temas técnicos, como sustentabilidade e tecnologia, e da valorização dos docentes.

O professor Ricardo Antonio Rodrigues, do Instituto Federal de Farroupilha (IFFar), fez palestra com o seguinte título: “Ser professor e a liderança em tempos de retrocesso e crise das e nas instituições”. Para ele, é preciso que os próprios professores repensem sua função social, a fim de que a categoria seja valorizada. “Nosso ofício é liderar as pessoas para o conhecimento. Não existe nenhuma profissão sem professor. Devemos retornar às nossas raízes e sempre fazer reflexões para ler corretamente a realidade e assim inspirar nossos alunos. Ensinar é despertar o desejo de aprender.”

Rodrigues acrescentou que é preciso olhar mais para as licenciaturas para formar novos mestres e aumentar a qualidade do ensino. De acordo com ele, a união da categoria é fundamental no processo de resgate da identidade. “Governos vão, as escolas ficam. Dar aulas é ter consciência do que podemos inspirar a criar.”

Na palestra “Manejo de espécies cultivadas com Eficácia, Racionalidade e Sustentabilidade”, o professor Sérgio Miguel Mazaro, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, destacou que a agricultura de precisão, drones e imagens de satélite são exemplos de como o avanço tecnológico pode contribuir para a performance positiva da agricultura. Mesmo assim, pontuou, as inovações não devem ser tratadas como fontes únicas para a tomada de decisão no campo.

O técnico, o agrônomo de botina, está acabando” – Sérgio Miguel Mazaro, professor

“O técnico, o agrônomo de botina, está acabando”, assinalou, acrescentando que são cada vez mais raros profissionais que entram na lavoura para analisá-la com olho clínico. “Isso está se perdendo. Tudo está interligado, se comunicando. Mas será que vamos continuar observando a lavoura? Ou vamos ter só equipamentos? Nós, no escritório, e a tomada de decisão só por inteligência artificial?” provocou.

Mazaro enfatizou que, atualmente, prevalecem “os técnicos e agrônomos do asfalto”. Embora a tecnologia seja encantadora, ressaltou, de nada adiantará se os futuros profissionais agrícolas não tiverem uma boa base de conhecimento do campo. “Daqui a pouco estamos entrando na geração 4.0 do agronegócio, mas sem racionalidade, efetividade e sustentabilidade para o processo produtivo. A grande maioria dos agricultores não vai mais na lavoura.”

Outro palestrante dos eventos foi o deputado federal Giovani Cherini. Ele abordou o tema “Práticas integrativas para uma vida saudável”.

Os eventos, realizados na última sexta-feira (5), terminou com um bate-papo sobre demandas da educação profissional, com a participação de representantes de entidades e do presidente da Agptea, Fritz Roloff. “A tônica desses encontros é sempre fomentar e buscar alternativas para a melhoria do processo de aprendizagem”, enfatizou Roloff.

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