Embrapa anuncia, na Emater-DF, técnica inédita para avaliar saúde do solo

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Foto: Henrique Debiasi/Embrapa

O Brasil será o primeiro país do mundo a avaliar a saúde do solo a partir da medição do nível de duas enzimas nas áreas de plantio – a betaglucosidase e a arilsulfatase. A análise começa a partir da safra de grãos 2019-2020. A técnica permite um melhor manejo do solo, com a redução de custos com insumos químicos e uma produção ambientalmente mais sustentável.

A novidade foi apresentada pela pesquisadora da Embrapa Cerrados Ieda Mendes, durante o primeiro encontro do curso Princípios e Práticas de Agroecologia e Produção Orgânica, realizado no Centro de Capacitação e Comercialização da Agricultura Familiar (CCC), da Emater-DF, na última sexta-feira (18).

A pesquisadora explicou que existem várias enzimas no solo associadas aos processos de decomposição de matéria orgânica. No entanto, basta observar o nível dessas duas enzimas para avaliar a saúde do solo, pois elas se relacionam com praticamente todas as demais. “A beta e a sulfa são altamente sensíveis para detectar diferenças em relação ao manejo e estão relacionadas ao funcionamento do solo e ciclagem de nutrientes.”

O engenheiro-agrônomo e gerente do escritório da Emater-DF em Planaltina, Leandro Moraes, disse que, em 2016, participou de parte desta pesquisa durante a sua tese de doutorado. “O que a pesquisa tem buscado fazer é selecionar bioindicadores que são estudados há mais de 20 anos, para que possam ser usados na prática.”

Em sua tese, Moraes buscou adequar a metodologia de coleta das amostras de solo para análise, para mais próximo da prática do produtor no dia a dia. Assim, em vez de coletar o solo úmido durante a floração da colheita, o agrônomo analisou mais de 20 indicadores microbiológicos presentes no solo seco, coletado após a colheita dos grãos.

“Quando você muda essa forma, a atividade microbiológica do solo cai muito. Por isso, há a necessidade de desenvolver uma tabela própria para essa metodologia”, afirma o agrônomo. “É uma diferença gigantesca e precisamos selecionar indicadores que fossem relevantes para a avaliação sob essas condições”, assinalou Moraes.

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Foto: Paulo Ferreira/Embrapa

Condições físico-químicas do solo

Assim, atualmente a mesma amostra de solo usada para a análise de solos padrão, que verifica as condições físico-químicas do solo, também pode ser usada para fazer a análise microbiológica. “Facilitou para o agricultor e para o laboratório”, acrescentou Ieda Mendes.

A pesquisa da Embrapa também desenvolveu tabelas para interpretar se o nível dessas enzimas está alto, médio ou baixo no solo. A palestrante destacou a simplicidade de analisar esses parâmetros.

“Qualquer laboratório está capacitado a realizar essa análise sem comprar nenhum equipamento novo, mas apenas adquirindo os reagentes para essas enzimas”, informou Ieda Mendes. “Diante disso, o custo para realizar a bioanálise de solos é baixo e está dentro da realidade das análises atuais de solo.”

Ieda Mendes também enfatizou que essa novidade é algo que não existia na literatura internacional da microbiologia. “Até então, nós, agrônomos, intuíamos que um solo adubado apenas quimicamente não manteria a produtividade, mas não tínhamos como provar. Agora nós temos.”

Para Roberto Carneiro, agrônomo da coordenação de agroecologia e produção orgânica da Emater-DF, a novidade é importante para a atuação dos agrônomos. “Muito além de receitar adubos e fertilizantes, o manejo adequado é o que vai impactar na saúde do solo, e isso vai exigir mais de nós, agrônomos.”

Da redação, com Emater-DF

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