Pesquisador Celso Moretti é confirmado na presidência da Embrapa

 

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Celso Moretti, presidente da Embrapa – Foto: Jorge Duarte/Embrapa

O pesquisador Celso Luiz Moretti vai assumir oficialmente a presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), disse a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Ele está exercendo interinamente o cargo desde 17 de julho. O anúncio da confirmação de Moretti deve ser seguido de uma série de mudanças que a Embrapa implementará nos próximos meses.

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre e doutor em produção vegetal pela mesma instituição e especialista em gestão empresarial pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Moretti está há 25 anos na Embrapa. Iniciou a carreira como pesquisador, foi chefe da Embrapa Hortaliças, chefe do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) e diretor-executivo de P&D.

Como presidente interino, foi responsável por buscar maior integração e aproximação da Embrapa com ações prioritárias do Ministério da Agricultura, rever a gestão da programação de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação, coordenar com a diretoria o processo de implantação do sistema integrado de gestão (ERP) e estabelecer novos contatos com cadeias e setores produtivos do agro brasileiro.

A ministra Tereza Cristina esteve com dirigentes da Embrapa na última semana, quando pactuou com diretores e chefes de unidades uma série de mudanças na Embrapa a serem realizadas nos próximos meses. Haverá um esforço conjunto em torno da reformulação da gestão, que será conduzida pelo Mapa e pela Embrapa, agora sob a liderança oficial de Moretti.

Entre as propostas discutidas pela ministra estão: rever a atuação e dar mais autonomia aos centros de pesquisa na busca por soluções sustentáveis para o agro, dar mais agilidade à empresa, ajustar o modelo de operação e aproximar ainda mais a pesquisa do setor produtivo. Também foi discutida a necessidade de rever cargos comissionados e aumentar a capacidade de captação de recursos para reduzir a dependência do Tesouro Nacional.

Moretti diz que as orientações da ministra são prioridade e “vão ajudar a Embrapa a se atualizar e ter uma participação ainda mais efetiva junto ao agro brasileiro”. Também destacou que o projeto do governo teve amplo alinhamento com os gestores da Empresa. “Agora é trabalhar para colocar em execução as diretrizes para revisão do modelo e forma de atuação”, afirma.

Desde o início de sua gestão interina, a diretoria passou a atuar de forma mais alinhada e próxima do Ministério da Agricultura e do setor produtivo. Segundo Moretti, os primeiros sinais dessa reconexão já estão visíveis para a sociedade. O processo seletivo de chefes-gerais, que estava paralisado, foi reiniciado com a seleção de quatro novos gestores de UDs. Para o próximo ano estão previstas 20 novas seleções. Outro exemplo desses resultados é a inserção da Embrapa na maior parte dos projetos estratégicos do Mapa.

Plano Diretor

Desde junho, a Embrapa elabora seu VII Plano Diretor (PDE), em alinhamento com as diretrizes do ministério. O documento segue em processo de avaliação e ajustes. Até o momento, recebeu contribuições de mais de 2,7 mil pessoas, incluindo representantes do setor agropecuário, do governo e de instituições públicas, por meio de diferentes mecanismos de consulta.

Segundo Moretti, uma diretriz importante na produção do documento é que o setor produtivo fosse amplamente consultado sobre os rumos da Empresa nas próximas décadas. “Tivemos o retorno de mais de 570 lideranças do agro nacional apenas na primeira fase de consultas, o que nos dá a segurança de elaborar um planejamento estratégico com maior alinhamento com as prioridades do agro”. Ele diz que “não se trata de um documento de prateleira, mas algo que estabelece objetivos, metas e diretrizes e nos ajuda a estar conectados às demandas do agro brasileiro, o que é fundamental no nosso dia a dia”.

Entregas

Moretti também chama a atenção para o fato de que a Embrapa continua fazendo entregas relevantes para a sociedade. Entre os destaques deste ano está o BiomaPhos, um inoculante que aumenta a quantidade disponível de fósforo nos solos para absorção pelas plantas. Estima-se que haja cerca de US$ 40 bilhões em fósforo acumulados ao longo de décadas e que, com a tecnologia da Embrapa, possam ser apropriados pelas plantas, gerando economia e incremento da produtividade.

Outra entrega foi o aplicativo Zarc Plantio Certo, que permite ao produtor tomar decisões de forma ágil e prática, baseado em informações oficiais de zoneamento de risco climático. O novo presidente também destaca a participação da Embrapa no consórcio internacional que sequenciou o genoma do fungo causador da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), principal doença das lavouras brasileiras de soja e que causa US$ 2,8 bilhões de prejuízos para o país.

Entre as novidades previstas para 2020 está o início do processo de certificação e comercialização de produtos com a marca conceito Carne Carbono Neutro (CCN). A marca garante que os animais que deram origem ao produto tiveram as emissões de metano entérico compensadas durante o processo de produção pelo crescimento de árvores no sistema.

Outro produto aguardado é o sistema de inteligência territorial estratégica para impulsionar a produção aquícola. A Embrapa está mapeando, por imagens de satélite, os viveiros de criação de peixes e outros animais aquáticos em todo o Brasil. As informações ficarão disponíveis em uma plataforma online, que abrigará vasta quantidade de dados georreferenciados sobre a atividade.

Trajetória

Moretti é pesquisador da Embrapa desde 1994, quando foi contratado para atuar no Laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Embrapa Hortaliças, Unidade que chefiou entre agosto de 2008 e março de 2013. Também atuou na sede como chefe do então Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD), de abril de 2013 a julho de 2017, e depois como diretor de P&D, a partir de julho de 2017 – cargo que estava acumulando enquanto presidente interino.

É alumni (2016) da Harvard School of Government, Harvard University (EUA) e professor convidado da University of Florida (EUA) desde 2006. Foi bolsista em produtividade científica do CNPq de 1999 a 2017 e orientador de estudantes de mestrado e doutorado da Universidade de Brasília (UnB) de 2003 a 2017. É autor de capítulos de livros, editor de livros técnicos e autor e coautor de trabalhos técnico-científicos em periódicos nacionais e internacionais. Possui ampla experiência internacional, tendo proferido palestras, seminários e conferências em mais de 40 países. É membro do Painel Global para Agricultura, Alimentação e Nutrição (Reino Unido) desde 2019. Neste ano, foi indicado pelo governo brasileiro para representar o país junto à ONU Meio Ambiente (Unep/UN).

Da Embrapa

 

 

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