Embrapa: Previsão de geada em junho ameaça safrinha de milho no sul do MS

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Geada forte deve ocorrer em junho, segundo o sistema de prognóstico da Embrapa Agropecuária Oeste – Foto: Auro Akio Otsubo/Embrapa

A produção brasileira de milho no ciclo 2019/2020, que já registra quebra de cerca de 20% na 1ª safra do Rio Grande do Sul, em consequência da estiagem, pode ter perdas também na safrinha da região sul de Mato Grosso do Sul, devido à ocorrência de forte geada. O alerta é do sistema de previsão de geada da Embrapa Agropecuária Oeste.

“Existe alta probabilidade de ocorrer geada forte em junho de 2020, em municípios do sul de MS. O prognóstico de acontecer ao menos uma geada é de 96%. Há 74% de chance de que essa geada seja classificada como forte, ou seja, em condições de temperatura abaixo de 1ºC (veja imagem abaixo)”, informa a Embrapa Agropecuária Oeste.
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Durante o Showtec 2020, a previsão de ocorrência de geada na safrinha 2020 no sul do MS será tema de uma das palestras, no estande da Embrapa, no espaço ‘Agricultura Movida à Ciência’. A palestra será feita pelo pesquisador Danilton Luiz Flumignan, da Embrapa Agropecuária Oeste, na quinta-feira, 23 de janeiro, das 9hs às 10hs.

O pesquisador também estará disponível para esclarecer dúvidas e conversar sobre o tema, ao longo dos três dias do evento, no espaço “Clínica Tecnológica”, no estande da Embrapa, no Showtec 2020.

Riscos para o milho safrinha

O milho safrinha é a principal cultura de outono-inverno de Mato Grosso do Sul. Em 2018, foram cultivados no estado cerca de 1,7 milhão de hectares. Aproximadamente 70% dessas lavouras estavam na região sul.

Segundo Danilton, as geadas são motivo de grande preocupação por parte dos produtores, especialmente se elas ocorrem em junho. “Em junho, normalmente, o milho ainda se encontra em uma fase sensível de seu desenvolvimento e a dimensão do prejuízo está associada à intensidade da geada”, esclarece ele.

É justamente por esse motivo que oZoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) estabelece que, nessa região, o milho safrinha deve ser semeado até 10 de março, pois até essa data os riscos são mínimos.

Porém, nesta safra a semeadura da soja, em geral, foi feita tardiamente, devido ao atraso nas chuvas. Assim, a tendência natural é que a semeadura do milho safrinha também seja realizada mais tarde.

O alerta do pesquisador é que os agricultores busquem o apoio de técnicos capacitados. “A possibilidade de geada forte, em junho, coloca esta safra de milho safrinha numa condição de alto risco. Assim, o planejamento deve ser feito de modo a minimizar os possíveis prejuízos que podem se tornar realidade caso o cenário futuro de clima se confirme no sul do estado”.

Danilton sugere ainda que para este ano sejam levadas em consideração outras alternativas de cultivo de cereais de inverno no planejamento agrícola, tais como trigo e aveia. Ele ressalta que “essas são opções viáveis, desde que fatores como disponibilidade de sementes no mercado e canais de comercialização sejam favoráveis”.

Histórico da região

Este é o terceiro ano consecutivo que a Embrapa divulga as previsões de geadas para o mês de junho na região sul de Mato Grosso do Sul.

Nos anos anteriores, a Embrapa previu que as temperaturas mínimas não seriam suficientes para configurar condições favoráveis a ocorrência de geadas. Essas previsões foram confirmadas e não houve geadas em junho (confira no gráfico abaixo). Nos dois anos anteriores, 2018 e 2019, as previsões se diferenciaram da temperatura mínima ocorrida em no máximo 1 ºC.

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“Nesses dois últimos anos, as temperaturas mínimas registradas em junho, no sul do MS, ficaram acima de 4ºC. Assim, não houve geada nessa região, nesse período”, acrescenta Danilton. Como as geadas representam um fator de risco à produtividade no campo, a Embrapa Agropecuária Oeste vem analisando alguns métodos de previsão.

Conheça o sistema

O sistema de previsão de geadas foi desenvolvido, em 2017, pela equipe da unidade, em parceria com a estudante de agronomia da UFGD Rafaela Silva Santana. Atualmente, o sistema tem seus dados abastecidos pelos pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS) Danilton Luiz Flumignan, Éder Comunello e Carlos Ricardo Fietz.

A ferramenta usa dados de chuva da estação agrometeorológica do Guia Clima, da Embrapa Agropecuária Oeste, e da temperatura da superfície do mar, fornecidos pela agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

Com índice de confiança de 95%, o sistema é capaz de prever, em dezembro, qual a temperatura mínima que deverá ocorrer em junho, no sul de MS. Baseando-se nessa temperatura prevista e na escala de intensidade de geadas (tabela abaixo), é possível informar qual a probabilidade de ocorrer geada e com qual intensidade.

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Essa previsão, que pode ser divulgada em dezembro, é monitorada até o mês de maio, pois, conforme ressaltam os pesquisadores, as condições de temperatura da superfície do mar podem mudar até junho e, se essa mudança for significativa, a previsão deverá ser reavaliada.

“Não é normal ter que corrigir as previsões que são feitas com antecedência, mas isso pode acontecer. Em geral, o mais comum é que elas se confirmem”, diz Danilton.

Da Embrapa Agropecuária Oeste

 

 

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