Grande produtor busca menos crédito rural; agricultor familiar participa mais

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Célio Porto, coordenador técnico da Comissão de Política Agrícola do IPA – Foto: Ceplac

João Carlos Rodrigues/Da redação AGROemDIA

A participação dos grandes produtores brasileiros no crédito rural está em queda, especialmente nas operações de custeio. Ao mesmo tempo, cresce a fatia do financiamento agrícola destinada aos agricultores familiares. As informações são do economista Célio Porto, coordenador técnico da Comissão de Política Agrícola do Instituto Pensar Agro (IPA).

Segundo Célio Porto, isso é o que mostra a apresentação sobre o desempenho do crédito rural no Plano Safra 2019/2020 feita pelo diretor de Financiamento e Informação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, durante a reunião da Câmara Temática de Crédito, Seguro e Comercialização, na última segunda-feira 17.

Houve queda de 18% no número de contratos de crédito rural para os grandes produtores, passando de 358.946, entre julho/2018 e janeiro/2019, para 293.405, entre julho/2019 e janeiro/2020, diz Célio Porto. “A queda mais acentuada, de 33%, ocorreu nas operações custeio para esses produtores, que recuo de 182.533 para 122.197.”

Ex-secretário de Política Agrícola e de Relações Internacionais do Mapa e ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o economista observa que os números apontam uma migração dos grandes produtores para outras fontes de financiamento, fora do crédito rural.

Enquanto os grandes produtores buscam outras opções de financiamento, os agricultores familiares aumentam sua participação no crédito rural. “Nos três últimos anos, a divisão do bolo evoluiu a favor da agricultura familiar. Na safra 2017/2018, a participação da agricultura familiar foi de 43% e subiu para 51% no atual Plano-Safra.”

Ainda conforme Célio Porto, as contratações do BNDES PRO-CDD Agro – programa destinado à liquidação integral de dívidas de produtores e cooperativas de produção – foram realizadas majoritariamente pelo cooperativismo de crédito, no período de julho/2019 a janeiro/2020. “O Bancoob e a Cresol tomaram 93,8% desses recursos.”

“Essa é aquela linha de crédito que permite refinanciar dívidas do agricultor com fornecedores ou outros bancos”, sublinha.

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Equalização de juros

Nas últimas safras, pontua o economista, a equalização de juros também está em queda. “O volume de recursos do Plano-Safra com equalização de juros do Tesouro caiu de R$ 92 bilhões, na safra 2015/2016, para R$ 68 bilhões no Plano-Safra 2019/2020.”

“No Plano Safra 2015/2016, 42% dos recursos foram com equalização de juros. Esse percentual caiu para 30% no atual Plano-Safra”, reforça Célio Porto, representante do IPA na Câmara Temática de Crédito, Seguro e Comercialização do Mapa.

O volume de gastos do Tesouro Nacional para a equalização do crédito rural, acrescenta o economista, está estável desde a safra 2017/2018, limitado pela Emenda Constitucional 95, que impede o governo de aumentar despesas acima da inflação.

Subsídios

Célio Porto constata ainda uma queda acentuada nos subsídios concedidos pelo Tesouro Nacional em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto). “O total estimado de subsídios caiu de 6,7% do PIB em 2015 para 4,6% em 2018. No caso dos benefícios financeiros e creditícios, a queda foi de 2,1%, em 2015, para 0,3%, em 2018.”

De acordo com o coordenador técnico da Comissão de Política Agrícola do IPA, os dados mostram que, hoje, o subsídio ao crédito é muito pequeno em proporção ao PIB (0,3%). “Noventa e três por cento [93%] dos subsídios referem-se a benefícios tributários.”

O governo destinou R$ 225,59 bi para custeio, comercialização, industrialização e investimento por meio do Plano-Safra 2019/2020. De julho de 2019 a janeiro de 2020, as contratações de crédito rural em instituições financeiras totalizaram R$ 116,7 bi, alta de 8% em relação aos 107,723 bi financiados em igual período anterior.

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