PIB agropecuário deve crescer entre 3,4% e 4,1% em 2020, estima Ipea

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O produto interno bruto (PIB) do setor agropecuário deve ter, em 2020, alta de 3,4% (com o prognóstico de safra utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) e de 4,1% (com o prognóstico de safra da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab). Isso é o que prevê a seção de Economia Agrícola da Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com nota divulgada pelo Ipea na última sexta-feira 21, os pesquisadores reviram as previsões para cima, uma vez que a estimativa anterior era de crescimento de 3,2% e 3,7%, respectivamente.

Na análise por segmento, há previsão de alta de 3,5% no valor adicionado da pecuária. A perspectiva é de um avanço de 3,9% (cenário de safra do IBGE) e 5% (cenário de safra da Conab) no valor adicionado da lavoura, puxado pelo bom desempenho da soja (alta de 8,7% na produção, de acordo com o IBGE) e do café (13,1%).

“No caso da pecuária, todos os componentes devem impulsionar o crescimento do valor adicionado, com destaque positivo para a produção de suínos, com projeção de alta de 4,5% neste ano. Os pesquisadores do Ipea também utilizaram nas análises as previsões de volume de produção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a pecuária”, diz a nota.

O documento conta com uma subseção de crédito rural (com contrações e condições de crédito) e de insumos (com destaque para fertilizantes e produção de máquinas agrícolas).

Além disso, há uma avaliação detalhada dos mercados e preços agropecuários domésticos feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores observaram uma continuidade na trajetória de redução das taxas médias de juros do crédito rural.

Coronavírus, carne suína e acordo EUA-China

Para o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior, “os efeitos econômicos do coronavírus podem representar um risco para as projeções do PIB agropecuário, uma vez que a demanda externa por carnes e, consequentemente, a produção interna podem ser afetadas”.

No entanto, Souza Júnior, não acredita em um efeito negativo sobre a produção da carne suína para a exportação porque a China ainda sofre as consequências da peste suína africana e seus rebanhos permanecem reduzidos.

O Brasil é o maior exportador mundial de soja e as exportações brasileiras podem ser afetadas pelo recente acordo entre Estados Unidos e China, que prevê crescimento de 192% das importações de soja para a China em 2020 e de 258% em 2021 (na comparação com 2019). Porém, a meta é inalcançável, uma vez que representaria um volume maior do que toda a soja produzida nos Estados Unidos nos dias atuais.

“Tudo indica que haverá uma grande pressão para ampliar as exportações norte-americanas para a China, deslocando os principais fornecedores. Por se tratar de uma commodity, é sempre possível realocar a oferta brasileira para outros mercados que deixariam de ser atendidos pela soja dos EUA (com todas as dificuldades de redefinições logísticas e contratuais envolvidas)”, assinala o Ipea.

Acesse a íntegra da seção Economia Agrícola

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