Soja supera R$ 100 a saca, milho, R$ 60, e arroz, R$ 50, diz Cepea

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Fotomontagem: Amipa/Divulgação

Alguns mercados agropecuários parecem estar passando ao largo do atual cenário conturbado, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, e seguem registrando bom ritmo de negociação e alta de preços. Nesta semana, os indicadores de soja, milho e também o de arroz atingiram recordes nominais das respectivas séries do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Saca de soja é negociada acima de R$ 100 em Paranaguá

As firmes demandas externa e doméstica, a alta nos preços internacionais e o dólar elevado – que torna a commodity brasileira mais atrativa – têm impulsionado os valores da soja no Brasil.

Além disso, como forma de combater o avanço do coronavírus, o governo argentino limitou o movimento nos portos do país, o que favorece as vendas brasileiras de soja e derivados.

Segundo pesquisadores do Cepea, nas últimas semanas, o ritmo de embarques da oleaginosa seguiu a “todo vapor”, com agentes até sinalizando dificuldades para conseguir novas cotas portuárias até o final deste primeiro semestre.

Nesse cenário, desde o início desta semana, o Indicador Paranaguá ESALQ/BM&FBovespa tem fechado acima de R$ 100,00/saca de 60 kg, sendo este o maior patamar nominal da série histórica do Cepea, iniciada em março de 2006 para este produto.

Em termos reais, o maior patamar da série foi registrado em setembro de 2012, quando a oleaginosa foi negociada na média de R$ 130,41/saca (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI). Nessa terça-feira, 31, o Indicador Paranaguá fechou a R$ 101,21/saca, acumulando alta de 12,63% em março.

Milho: Oferta restrita sustenta movimento de alta

A oferta de milho segue restrita no Brasil, contexto que mantém os preços em movimento de alta desde setembro do ano passado. Pesquisadores do Cepea indicam que, mesmo com a colheita da safra de verão se aproximando do fim, muitos produtores têm preferido negociar a soja em detrimento do milho.

Os vendedores do cereal estão afastados do mercado, na expectativa de que os valores continuem avançando nas próximas semanas, fundamentados nos baixos estoques de passagem e em problemas na oferta de milho de primeira safra, que reduziram a disponibilidade do cereal neste momento. Além disso, há preocupação com o desenvolvimento das lavouras de segunda safra.

Compradores, por sua vez, precisam repor estoques de curto prazo e, para isso, acabam cedendo e reajustando positivamente os preços.

Nessa terça-feira 31, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) atingiu R$ 60,14/saca de 60 kg, o maior valor nominal da série histórica do Cepea para esse produto, iniciada em agosto de 2004. Já em termos reais (valores atualizados pelo IGP-DI), o maior patamar deflacionado da série do Cepea, de R$ 68,50/sc, foi verificado em dezembro de 2007. Em março, o Indicador registrou alta de quase 13%.

Colheita do arroz avança no RS, mas preço segue em alta

Apesar do período de colheita, quando tradicionalmente os valores cedem, devido à maior disponibilidade, para o arroz em casca, o cenário é o oposto neste momento. Segundo levantamento do Cepea, os preços têm registrado altas, atingindo, nessa terça-feira 21, recorde nominal da série histórica do Centro de Pesquisas, iniciada neste caso em 2005.

O Indicador do arroz em casca ESALQ/SENAR-RS fechou a R$ 51,92/saca de 50 kg nessa terça-feira, acumulando elevação de 4,83% em março. Já em termos reais, ou seja, considerando-se os efeitos da inflação, o maior patamar já visto pelo Cepea foi em maio de 2008, quando a saca de 50 kg foi negociada na média de R$ 66,95.

Pesquisadores do Cepea indicam que a alta está atrelada ao recuo de orizicultores e também ao maior interesse comprador. Neste caso, consumidores nacionais passaram a adquirir maiores volumes, forçando o varejo a se abastecer do atacado e, por sua vez, dos engenhos beneficiadores.

Do Cepea

 

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