Críticas à China não devem afetar comércio com o Brasil, diz presidente da FPA

alceu moreira camara 6 2020
Foto: Câmara dos Deputados

Da redação//AGROemDIA

As manifestações de membros do governo federal e da família do presidente Jair Bolsonaro contra a China – a mais recente foi a do ministro da Educação, Abraham Weintraub, via Twitter – não devem ter impacto nas relações entre o Brasil e o país asiático, especialmente no que se refere ao comércio de produtos agropecuários. A avaliação é do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira, que considera essas atitudes condenáveis.  “A posição do governo e do setor do agro não é essa”, afirmou.

Em entrevista ao AGROemDIA, Alceu Moreira ressaltou que o que sistema de comércio da China é absolutamente pragmático, assim como o seu governo. No último dia 30, a FPA divulgou nota oficial na qual repudia qualquer manifestação contra o país asiático, principal parceiro comercial do Brasil, sendo responsável pela maior parte das compras de soja e carnes (bovina, suína e de aves) brasileiras, além de outros produtos, como os de base florestal.

“As declarações do Brasil em relação à China são condenáveis e não concordamos com elas. Mesmo que possa haver algum tipo de discordância com relação à questão ideológica da China, ainda assim este momento é absolutamente inoportuno para fazer isso. De qualquer maneira, não acredito que as declarações tenham qualquer tipo de interferência de natureza comercial ou diplomática com o Brasil”, disse o parlamentar gaúcho.

A Embaixada da China no Brasil, enfatizou Alceu Moreira, tem se posicionado frontalmente contra tais manifestações, quando precisa, como estratégia de comunicação e imagem para não permitir que o país seja responsabilizado pela pandemia. “Agora, uma bobagem não importa de onde saia, continua sendo bobagem, mas vivemos num país democrático, onde as pessoas têm direito de manifestar suas opiniões.”

O presidente da FPA assinalou que a repercussão das manifestações ocorre justamente pela posição dos seus porta-vozes. “É claro que a palavra tem muito mais peso, porque uma vez ela sai do filho do presidente [deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP)] e em outra, do ministro [da Educação]. E os dois são da mesma corrente de pensamento, mas eu não acredito que a China não perceba que essa não é a posição do governo brasileiro e do setor do agronegócio.”

China x EUA

Alceu Moreira esclareceu ainda que há interpretações incorretas sobre as relações comerciais entre a China e os Estados Unidos no que se refere à compra de soja. “Em setembro, os Estados Unidos fizeram um novo acordo com a China para ampliar o volume das exportações de soja. Neste momento, os EUA têm desabastecimento de uma série de produtos que eles precisam comprar da China. Aí, aumentou o poder de barganha para poder vender mais soja.”

De acordo com o presidente da FPA, essa é uma circunstância comercial com a qual o Brasil precisa conviver o tempo todo. “Teremos que ter competência para vencer, abrindo novos mercados, e continuar fornecendo para a China.”

O deputado gaúcho pontuou ainda que a intensificação dos negócios entre China e EUA nos últimos meses mostra o pragmatismo do país asiático. “Quem mais pronúncia coisas contra a China são os EUA e o próprio presidente Donald Trump. Isso mostra claramente o grau de pragmatismo dos chineses. Quando eles querem negociar, pouco importa o que é dito. Eles vão fazer o negócio que seja conveniente para a China.”

 

 

 

 

 

 

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