Covid-19: Setor de leite gaúcho pede linha de crédito para enfrentar crise

Covatti Filho se reunirá com Banrisul e Badesul para tratar do financiamento à cadeia leiteira – Foto: Câmara dos Deputados

Representantes dos produtores de leite e das indústrias pediram apoio ao governo gaúcho para reforçar as linhas de crédito oficiais para permitir a manutenção das atividades no setor lácteo neste momento de pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Durante reunião virtual da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite, nesta terça-feira 14, foi solicitado ao secretário da Agricultura, Covatti Filho, que interceda junto aos bancos para liberação de financiamento à cadeia leiteira.

As indústrias reivindicam crédito para estoques e capital de giro, tendo em vista que alguns clientes, principalmente do setor de food service, estão pedindo prorrogação de pagamentos em virtude da suspensão de operações com a quarentena e não há intenção de repassar esse ônus ao campo.

“As empresas estão solicitando mais prazo. A indústria está entre o produtor e o varejista e não quer repassar esse custo. Temos que achar equilíbrio para manter a estabilidade do setor”, assinalou o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra. Segundo ele, é essencial que o produtor também tenha acesso a essas linhas de crédito de forma a assegurar a manutenção de sua atividade e renda no campo.

Covatti Filho pediu ao setor um levantamento do volume de recursos necessários e quais condições tornariam essas linhas de crédito viáveis. Segundo ele, outros segmentos do agronegócio já solicitaram demandas parecidas e isso precisará ser tratado com os bancos ligados ao governo do RS. O secretário agendará uma reunião entre o setor lácteo e o Banrisul e o Badesul para tratar do assunto.

O chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Erli Teixeira, reforçou que essa linha de crédito emergencial é uma questão de sobrevivência para os produtores, principalmente dos pequenos. “É uma questão social. Precisamos pensar no conjunto.”

Merenda escolar

O diretor de Política Agrícola da Secretaria, Ivan Bonetti, ressaltou que as resoluções do Banco Central que prorrogaram os custeios e os investimentos do crédito rural aportaram recursos para as cooperativas, disponibilizarão R$ 20 mil por produtor da agricultura familiar. Além disso, acrescentou, a Conab está removendo milho para o estado através do programa Milho Balcão.

O secretário Covatti Filho também citou a compra governamental de cestas básicas, que será feita por meio de recursos da merenda escolar. A aquisição dos kits – que conterão leite em pó – deve auxiliar pelo menos algumas empresas do setor que serão contempladas diretamente.

 

Coordenada pelo diretor-tesoureiro do Sindilat, Jéferson Adonias Smaniotto, a reunião ainda tratou sobre a necessidade de isenções tributárias (Pis/Cofins) sobre adubos, sementes e medicamentos veterinários.

O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, citou que a isenção do ICMS, que inicialmente iria até 30 de abril e foi estendida pelo Confaz até 31 de dezembro de 2020.

Para Smaniotto, é essencial desburocratizar o limite de crédito, de forma a permitir que o produtor que já tem seu Pronaf comprometido possa ter uma linha especial para enfrentar este momento, agravado pela estiagem.

O setor lácteo também defende a necessidade de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) para viabilizar a liberação dos altos estoques que se acumulam principalmente nas queijarias gaúchas. “Foram setores impactados duramente pela parada do setor de food service”, salientou Guerra.

 

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