Incidência de ferrugem asiática na soja plantada em fevereiro é 110 vezes menor, segundo pesquisa

Foto: Nilton Pires de Araújo/Embrapa

O índice de ferrugem asiática no plantio de soja em fevereiro é 110 vezes menor em comparação ao semeio de dezembro, segundo resultados preliminares de pesquisa científica divulgados pela Fundação de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Rio Verde, de Lucas do Rio Verde (MT). Ainda de acordo com os dados, o número de aplicações de fungicidas químicos nas lavouras de fevereiro é 50% menor que em dezembro.

“O relatório da pesquisa científica emitido preliminarmente pela Fundação mostra que as áreas de plantio de dezembro, nas quais foram coletados dados para pesquisa, evidenciam a necessidade de um maior número de aplicação de fungicidas e ainda assim, continuam com alta severidade da ferrugem asiática na planta (soja)”, informa reportagem veiculada no site Olhar Agro % Negócios, de MT.

Para a Fundação, destaca a reportagem, uma das possíveis causas da diferença dos números de aplicação de fungicidas químicos de fevereiro e dezembro são as condições climáticas, chuvas frequentes que propiciam a proliferação do fungo e redução da eficiência dos fungicidas.

Ainda conforme a Fundação Rio Verde, as técnicas utilizadas no plantio de fevereiro permitem a aplicação somente após a detecção de ferrugem no campo, garantindo mais sustentabilidade ambiental e economia aos produtores.

“Importante salientar que estas áreas experimentais, além de servirem para fazer o comparativo entre a severidade da ferrugem em fevereiro para dezembro, também propiciou a prática do monitoramento das lavouras, isto visando a detecção da ferrugem no início da incidência foliolar”, aponta a Fundação Rio Verde, relata a reportagem, assinada pelo jornalista Vinicius Mendes.

“De acordo com a pesquisa em andamento, a baixa pressão e efetivas medidas de controle realizadas nas áreas experimentais de fevereiro apresentam muito baixo ou nulo índice de proliferação do fungo”, diz trecho do relatório preliminar, ilustrado no gráfico abaixo.

Fungicidas multissítio

Outra técnica de manejo apontada pela pesquisa são as pulverizações com fungicidas multissítio, informa o Olhar Agro & Negócios. “Todas as áreas de plantio de fevereiro e em todas as pulverizações estão se utilizando esta técnica, a única que evita e resolve o problema das mutações do fungo da ferrugem asiática”, afirma a Fundação.

A Fundação Rio Verde volta a afirmar que as “pequenas áreas de cultivo de fevereiro, destinadas à pesquisa científica, serão colhidas muito antes do início do Vazio Sanitário com início em 15 de junho e término em 15 de setembro, e que não foram semeadas soja na sequência de soja, mas que os produtores deixaram área reservada para fevereiro”.

Apontando para a mudança no calendário de plantio, objetivo da pesquisa científica, a Fundação Rio Verde afirma que “a pequena alteração no calendário de plantio vai evitar os plantios de soja em dezembro e janeiro, abrindo-se uma pequena janela em fevereiro, com menos aplicações de fungicidas e preservando o vazio sanitário”.

E que “ensinar isso aos produtores é fundamental. Atualmente menos de 1/3 dos produtores de soja aplicam os fungicidas multissítios para controle da ferrugem, já que a indústria química só passou a recomendar recentemente”, pontua.

Pesquisador

Responsável pelo Instituto Agris, que também atua na pesquisa com a Fundação, o professor doutor em fitopatologia, Erlei Melo Reis, 79 anos, é um dos pesquisadores mais respeitados no assunto com publicação de vários livros sobre o tema., como “Manual de Fungicidas, “Mofo-Branco da Soja” e “Doenças da Soja”. Carrega um vasto currículo na área científica, condecorado, inclusive, pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.

Reis foi pesquisador da Embrapa Trigo durante 20 anos. É ex-professor de fitopatologia e do Programa de Pós Graduação em Fitopatologia da Universidade de Passo Fundo. Professor visitante do programa de Pós Graduação da Universidade de Buenos Aires. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Fitopatologia, atuando em diversas culturas: Triticum aestivum, Zea mays, Hordeum vulgare, Glycine max, Plantio direto, Controle químico, Quantificação de Danos, Previsão de doenças de plantas e Patologia de sementes.

Da redação, com informações do Olhar Agro & Negócios

 

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