Abiec: Exportação de carne bovina do Brasil em 2020 deve superar recorde de 2019

Foto: APPA/Divulgação

Da Reuters

 As exportações brasileiras de carne bovina devem superar em 2020 o recorde de 7,6 bilhões de dólares registrado no ano passado, mesmo diante da crise do coronavírus, disse nesta quinta-feira o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli.

Segundo ele, quando acabar a pandemia, os países que tiverem as cadeias mais organizadas, como o Brasil, vão ter a chance de aumentar sua participação em mercados globais.

Durante participação em videoconferência, ele destacou que o país não conta com nenhuma unidade produtiva paralisada na área de bovinos, em função da pandemia.

O executivo ressaltou que a China segue como principal destino dos embarques de carne bovina. Em 2019, os chineses responderam por 26,7% das compras (494 mil toneladas) e faturamento de 2,67 bilhões de dólares, segundo dados da Abiec.

Ele ainda destacou que o mercado norte-americano foi reaberto para os exportadores brasileiros da proteína in natura em fevereiro deste ano e melhora a competitividade da cadeia.

“Frigoríficos (do Brasil) que ainda não alcançaram a China podem acessar os EUA”, afirmou.

Apesar das condições sanitárias do Brasil que favorecem as exportações, Camardelli admitiu que o país ainda não atinge cerca de 40% dos mercados importadores, compostos majoritariamente por países que consomem carne gourmet e pagam os melhores preços.

“Queremos participar de países como Japão, Coreia do Sul, México e Canadá, e com isto ampliar cada vez mais nossa participação nos mercados mundiais.”

Aves e suínos

Também por meio de videoconferência, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que o cenário continua promissor para as exportações de frango e suínos, mesmo em meio ao cenário de crise causado pela pandemia do coronavírus.

“Passamos a pandemia com sanidade animal impecável, até os EUA perderam uma fatia grande por problemas internos”, disse Turra, em referência aos frigoríficos que foram fechados temporariamente nos EUA devido ao contágio da Covid-19 entre os funcionários.

No Brasil, o caso mais grave foi detectado em uma unidade de aves da JBS em Passo Fundo (RS), que teve as atividades retomadas nesta semana após um período de suspensão. Lá, mais de 60 funcionários testaram positivo para o vírus.

Quanto ao acesso aos mercados, Turra também destacou os chineses como principais compradores tanto de aves quanto de suínos. “China é importadora de 17% do que exportamos de aves e 47% do que exportamos em suínos”.

As importações totais de carnes pela China nos quatro primeiros meses de 2020 avançaram 82% na comparação anual, para 3,03 milhões de toneladas, informou a Administração Geral de Alfândegas do país asiático nesta quinta-feira 7.

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