Mercado árabe é oportunidade para o Brasil ampliar exportações agrícolas

Celso Moretti, presidente da Embrapa, com missão árabe em janeiro deste ano – Foto: Embrapa

O investimento em oportunidades, intercâmbio e abertura de novos mercados deve estar entre os principais focos das negociações estratégicas do Brasil voltadas aos interesses do mercado dos países árabes. Segundo Celso Moretti, presidente da Embrapa, ainda há espaços a serem ocupados e potencial para explorar e atrair investimentos para o país em áreas como a bioeconomia e a cadeia de proteína animal. Isso, assinala, requer a adoção de medidas mais efetivas por parte desses segmentos brasileiros.

Como os países árabes têm uma economia ainda baseada em energia fóssil e o Brasil tem demonstrado forte tendência de crescimento da economia de base biológica, Moretti considera essa uma das melhores chances para ao desenvolvimento nacional em cooperação com as nações da região. “O Brasil precisa fazer mais e melhor o que já tem sido feito.”

Em evento on-line sobre a diversificação dos produtos brasileiras no mundo árabe,  realizado na semana passada, com participação de especialistas em agronegócio e representantes das áreas internacionais, Moretti anunciou a articulação para a instalação de um escritório da Embrapa em Abu Dhabi,  capital dos Emirados Árabes Unidos, onde a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) já tem representação e é uma das parceiras da empresa de pesquisa agropecuária.

Produtos made in Brazil

Sobre a diversificação de oferta de produtos para o mercado árabe, o presidente destacou o exemplo da produção de grão de bico, que já está sendo exportada, e o potencial de atendimento das demandas por frutas e hortaliças geneticamente adaptadas ao clima da região, onde há baixa disponibilidade de água.

“O desenvolvimento agropecuário brasileiro baseado em ciência tem chamado a atenção do mundo e temos recebido demandas constantes das lideranças de vários países árabes”, disse ele, referindo-se às reuniões com comitivas estrangeiras interessadas em projetos multilaterais.

Moretti enfatizou ainda que, entre as iniciativas em desenvolvimento na Embrapa para atender a política do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de internacionalização e investimento em estratégias voltadas ao mercado externo, a África também está entre as prioridades.

“Precisamos ser mais agressivos na presença brasileira naquele continente”, comentou. “Houve um recuo nos últimos anos. Por isso, é preciso retomar os contatos, em especial na África subsaariana, uma região que está no meio do caminho entre o Brasil e o seu principal mercado, a China.” Com 60% das terras agricultáveis disponíveis do mundo, a África detém mais de 400 milhões de hectares de savana, duas vezes mais que a área do Cerrado brasileiro.

O presidente lembrou que, durante as visitas que fez aos Emirados Árabes, teve a oportunidade de conhecer projetos desenvolvidos pelo país no continente africano. “Depois da China, eles são os que atualmente mais investem no desenvolvimento da agropecuária africana”, observa, acrescentando que a maior parte da produção agrícola está localizada no cinturão tropical do continente, onde o Brasil tem experiência para desenvolver novos projetos de interesse mútuo.

Conforme Moretti, a Embrapa e a iniciativa privada – em especial o setor de máquinas e de genética animal e vegetal – têm muitas oportunidades a serem exploradas no continente. Ele também enfatizou que este ano, apesar da pandemia do novo coronavírus, o Brasil está colhendo uma safra recorde, de mais de 250 milhões de toneladas. “É um fato extremamente positivo, sobretudo num momento como o que vivemos.”

Ampliação da agenda de exportação

Dados da Secretaria de Comércio Exterior revelam que, entre 2002 e 2012, houve um aumento das exportações brasileiras para os países árabes da ordem de 575%, passando de 1,6 bilhão de dólares para 10,8 bilhões, o que torna os torna o segundo maior destino dos produtos nacionais, em especial frango, carne, açúcar, gelatina de origem animal, café, amendoim, soja, milho, ovos e sucos de frutas.

De acordo com Rubens Hannun, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o relacionamento histórico entre o Brasil e os países árabes, que começou ainda nos anos 70, ainda pode oferecer novas oportunidades. “Existe reciprocidade entre as nações. Por isso, há muito com o que contribuir, uma vez que dispomos de recursos naturais, tecnologia e conhecimento e eles têm recursos financeiros.”

A internacionalização de empresas e projetos estratégicos na área de segurança alimentar, pontuou Hannun, são áreas com as quais tem trabalhado o primeiro escritório internacional da Câmara em Dubai, Emirados Árabes, inaugurado em fevereiro de 2019. Outros dois serão inaugurados no Cairo (Egito) e em Riad (capital da Arábia Saudita). Ele sublinhou ainda como desafios a serem enfrentados a urgência de definição de rotas marítimas entre o Brasil e os países árabes e a agilidade em processos de exportação (certificação digital), que vai representar a redução de prazos e a garantia de acessibilidade de preços dos produtos.

Durante o evento, a importância da parceria brasileira com os países árabes também foi destacada por Ricardo Santin, diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA): “Somos o maior exportador de aves e carne halal do mundo e a pandemia acabou vindo ajudar esse mercado, porque alguns países árabes estavam endurecendo suas medidas por questões políticas, mas o Brasil é reconhecido como um grande parceiro”, disse ele, lembrando que só com a Arábia Saudita foram exportados o equivalente a 384 mil caminhões de carne de frango para alimentar a população.

Pesquisa sem contingenciamento

Para deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), do ponto de vista político, as necessidades de diversificação de produtos para os países árabes são muito grandes. “Mais de 2 bilhões de pessoas se alimentam por essas decisões e isso transcende os 22 países árabes”, argumentou ele. “Tem havido uma forte articulação nesse sentido com grande atuação da ministra Tereza Cristina para conseguir mais abertura para os produtos brasileiros”.

Moreira salientou que a relação entre os países envolve outros setores, além do comércio. “O Egito, por exemplo, tem todo interesse em estabelecer parcerias na área da pesquisa, por isso o valor da Embrapa é muito importante – é preciso sair da relação de fornecedor para cliente. Não pode ser só isso.” Segundo ele, os países árabes podem investir em várias áreas, mas é preciso que o Brasil consiga estar estruturado com tecnologia, inovação e conectividade. “A parte política é abrir oportunidades para esses setores de forma mais fidelizada e definitiva.”

O deputado chamou a atenção ainda sobre o reaquecimento da economia, que só pode acontecer, na sua opinião, pelo agro. “É preciso tratar da pesquisa, por isso não dá para contingenciar o orçamento da Embrapa”, defendeu, dizendo que o agronegócio brasileiro é estratégico e a segurança alimentar é o que chamou de moeda política. “O recurso público deve ser aplicado no local correto”.

Outra defesa da diversificação de produtos brasileiros com foco no mercado árabe foi feita por Marcos Jank, pesquisador de agronegócio global, no Insper. “Vendemos basicamente açúcar, frango, carne bovina, milho e soja e animais vivos.” Para ele, a pauta de exportação brasileira para o mundo áraba está muito concentrada em poucos produtos. Jank vê espaço para aumentar as vendas de pescados e alimentos processados para aquele mercado.

Da Embrapa

AGROemDIA

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Um comentário em “Mercado árabe é oportunidade para o Brasil ampliar exportações agrícolas

  • 21 de junho de 2020 em 11:52
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    bom dia , gostaria de encontrar mercado de madeiras serradas de pinho e eucalypto

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