CE: Cooperativa de Boa Viagem lança feira virtual para apoiar agricultores familiares

Reprodução/Facebook CooperBoa

Por João Carlos Rodrigues/Da redação AGROemDIA 

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, a tecnologia virou uma das principais aliadas dos produtores rurais para chegar aos consumidores. Em Boa Viagem, município de cerca de 54 mil habitantes do sertão central do Ceará, um portal criado pela CooperBoa, com apoio da prefeitura municipal e do Sebrae, está ajudando agricultores familiares a vender sua produção neste momento de dificuldade de deslocamento por causa da covid-19.

Prático e simples, o portal é uma espécie de loja virtual na qual os agricultores expõem os produtos à venda, com os respectivos valores e a taxa de entrega. O consumidor acessa a página, clica no item desejado e o pedido é enviado para o WhatsApp da cooperativa, que providencia a entrega. As pessoas também têm opção de comprar direto na loja da cooperativa, que está funcionando de acordo com as precauções recomendadas pelas autoridades sanitárias.

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Lançado neste mês, o portal já reúne 84 produtores: 54 cooperados da CooperBoa e 30 feirantes. Surgida a partir das restrições impostas pela pandemia, a ideia deu tão certo que despertou interesse não apenas entre os agricultores familiares, mas também entre produtores de maior porte, diz o secretário de Agricultura e Pecuária da prefeitura de Boa Viagem, o técnico agrícola Ronilson Sergio Evangelista Abreu.

“Essa demanda surgiu por conta da pandemia. Temos 30 feirantes da feirinha da agricultura familiar que expõem toda a semana numa determinada área da cidade. Além disso, temos mais 54 cooperadores. Portanto, 84 produtores estão envolvidos diretamente neste portal. Por causa da covid-19, eles não puderam mais se reunir e a situação [financeira] ficou muito complicada”, acrescenta Ronilson.

A criação do site foi a forma encontrada pela Secretaria de Agricultura para apoiar os agricultores. “Já temos no portal quase todos os produtos da agricultura familiar, mais artesanato e produtos naturais. Com sucesso do portal, alguns produtores que não são da agricultura familiar pediram para pôr à venda animais e equipamentos. Fizemos isso, até mesmo porque todos foram atingidos pela pandemia”, conta Ronilson.

O cooperativismo começou a ganhar força em Boa Viagem – localizado às margens da BR-020, que liga Fortaleza a Brasília – em março do ano passado, com a criação da CooperBoa. Uma das exigências para se associar à entidade é que o produtor tenha capacitação na área. “Eu mesmo me disponho a dar a capacitação em cooperativismo para quem quiser participar da CooperBoa”, assinala o secretário de Agricultura.

Secretário Ronilson (Agricultura) e prefeita Aline Vieira – Foto: Divulgação

Pecuária de leite

Com mais da metade da população morando no campo, Boa Viagem tem forte vocação agrícola. “Isso hoje é bastante incomum, porque em outros municípios entre 60% e 70% dos habitantes vivem na área urbana. Nós temos muitas vilas rurais nos 13 distritos. A pecuária, principalmente a de leite, é a principal atividade. Também temos criação de suínos e de pequenos animais, como caprinos e ovinos”, releva o secretário.

A importância do setor leiteiro é tanta para o município administrado pela prefeita Aline Vieira instalou 16 tanques de leite na zona rural. Os produtores responsáveis por receber o produto dos demais pecuaristas e pela higienização dos tanques e dos equipamentos recebem uma bolsa mensal de R$ 300. A produção é vendida para uma usina.

“Recentemente, a prefeitura implantou uma usina e fez uma concessão de uso por tempo determinado para CooperBoa. Ela poderá receber até 2 mil litros de leite por dia, mas tivemos que adiar a inauguração por causa da pandemia do novo coronavírus”, comenta o secretário.

A prefeitura de Boa Viagem apoia ainda produtores que trabalham com a dessalinização de água. “Temos nove sistemas de dessalinização, e as pessoas envolvidas nesse trabalho recebem uma bolsa de R$ 300. Assim como o pessoal que cuida dos tanques de leite, os dessalinizadores representam a Secretaria de Agricultura nas suas localidades”, conta Ronilson.

Galinha caipira

Outro projeto exitoso em Boa Viagem é o da criação de galinhas caipiras. “Em 2017, começamos a implantar projetos de fomento a várias atividades. O principal deles é o da galinha caipira. Eu mesmo comecei com uma criação e depois passei a levar as pessoas para conhecê-la. Hoje, a criação de galinha caipira é uma atividade bem expressiva no município. A compra dos pintinhos e dos insumos é feita via cooperativa.”

A iniciativa foi tão bem aceita em Boa Viagem que resultou na criação, no final de 2017, de um festival anual de culinária da galinha caipira. “Tanto os restaurantes quanto os produtores participam da disputa para ver quem tem a melhor galinha caipira e os seis primeiros colocados são premiados. O festival é realizado em 21 de novembro, junto com a festa do município, e já virou tradição.”

A edição de 2019 do festival de galinha caipira de Boa Viagem também teve o apoio do Sebrae. “Chamamos o Sebrae para agregar mais entidades e contribuir na capacitação dos produtores e dos restaurantes e na profissionalização do próprio festival. Com isso, conseguimos divulgar o concurso em todo o Ceará. Neste ano, criaremos um aplicativo para que as pessoas saibam quais restaurantes da cidade oferecem galinhas caipiras.”

Segundo Ronilson, a produção e o comércio de galinhas caipiras têm ajudado a aquecer a economia local. “Como as pessoas não podem se deslocar até a cidade, os moradores das próprias vilas estão comprando e consumindo os frangos e os ovos caipiras. Isso tem fortalecido a economia dessas vilas, porque o dinheiro que as pessoas recebem de aposentadoria e outras fontes fica por lá mesmo.

Parte dos projetos executados em Boa Viagem tem o apoio do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fedaf). “Aqui no Ceará, tem uma linha de crédito, operada pelo Fedaf, que é um fundo do governo do estado, que serve para fomentar atividades com alguma tecnologia direcionada para pequenos empreendimentos e pessoas que queiram empregar algum tipo de inovação.”

Com esses recursos, da ordem de R$ 5 mil por beneficiário, Boa Viagem implantou 36 projetos de galinhas caipiras, enfatiza Ronilson. “Todos esses projetos são discutidos e planejados com a prefeita Aline Vieira e com os técnicos da Secretaria de Agricultura.”

Algodão

O município também aposta na produção do algodão agroecológico. “Em 2017, iniciamos uma parceria com a Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec), município também localizado no sertão cearense, para o plantio de algodão agroecológico. Há 10 anos, a Adec já desenvolve um projeto de cultivo de algodão só com defensivos orgânicos, sem adição de químicos e com proteção do solo.”

O projeto começou com 28 produtores, passou para 42 em 2018, para 59 em 2019 e, neste ano, já reúne 120 agricultores. “O algodão é vendido para duas empresas do Sul, que fabricam tênis e camisetas agroecológicas e vendem para o mercado interno e Europa. Nós incluímos Boa Viagem na Região dos Inhamuns para produção de algodão agroecológico”, destaca o secretário.

A iniciativa também tem o apoio da Secretaria de Agricultura de Boa Viagem. “Nós damos a hora de trator para o produtor, as sementes para o cultivo e os sacos para a colheita. Além disso, eles conseguem vender o algodão agroecológico por um preço bem mais alto do que o convencional”, afirma Ronilson.

Reprodução/Facebook CooperBoa

 

 

 

 

AGROemDIA

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