Leite: Preço ao produtor cai 4,7% em maio; custo de produção sobe 0,48%, diz Cepea

Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

Da redação//AGROemDIA

O preço do leite ao produtor em maio, referente à captação do mês de abril, caiu 4,7%. Em relação a maio de 2019, o recou foi de 10,8%. Os números constam do Boletim do Leite de junho, divulgado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O estudo tem como base a “Média Brasil”, calculada a partir dos dados dos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Ainda segundo o Cepea, o custo de produção subiu 0,48% em maio frente a abril e no acumulado de 2020, 4,05%. Ou seja, o produtor está gastando mais para se manter na atividade.

Leia, abaixo, as análises de Natália Grigol e de Ivan Barreto, da Equipe Leite do Cepea, sobre os preços do leite ao produtor e custos de produção em maio.

MENOR OFERTA DEVE ELEVAR PREÇOS EM JUNHO

Natália Grigol

“As incertezas sobre consumo de derivados no médio e longo prazos, diante da atual crise por causa da pandemia de covid-19, foram reforçadas em abril, contexto que reduziu o investimento das indústrias em estoques, pressionando as cotações do leite no campo em maio.

De acordo com pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a “Média Brasil” líquida em maio (referente à captação do mês anterior) chegou a R$ 1,3783/ litro, recuo de 4,7% frente ao mês anterior e de 10,8% em relação a maio/19 (valores reais, deflacionado pelo IPCA de maio/20). No entanto, o avanço da entressafra da produção no Sudeste e Centro-Oeste, a estiagem no Sul e a consequente menor oferta de leite no campo devem elevar as cotações aos produtores em junho, recuperando a queda observada em maio.

O preço da matéria-prima no campo é formado depois das negociações quinzenais do leite spot (negociação de leite cru entre indústrias) e da venda dos derivados lácteos. Assim, as cotações do spot e dos derivados de maio irão influenciar os valores do leite captado naquele mês, que serão pagos ao produtor em junho. Nesse sentido, a defasagem temporal entre a produção e a comercialização dos derivados causa o delay de um mês nesse repasse das condições de mercado para o produtor.

Em maio, a menor disponibilidade de leite no campo acirrou a competição entre os laticínios para a compra de matéria-prima. Pesquisas do Cepea apontam que o preço médio mensal do leite spot em Minas Gerais em maio foi 6,7% superior ao de abril, em termos nominais.

A menor oferta de matéria-prima no mês passado, por sua vez, intensificou a redução dos estoques de UHT, muçarela e leite em pó – que, vale lembrar, já vinham limitados, devido à menor produção em abril, por conta das incertezas geradas pela pandemia. Adicionalmente, agentes de mercado consultados pelo Cepea informaram que a demanda por derivados lácteos se mostrou mais firme em maio em comparação com abril, cenário que favoreceu a recuperação das cotações dos lácteos.

Perspectivas para julho

As negociações do leite spot estiveram aquecidas nas duas quinzenas de junho, mas com maior intensidade na segunda. Pesquisas do Cepea mostram que, na média deste mês, o preço do spot em Minas Gerais ficou 45% acima do de maio, em termos nominais, chegando a R$ 2,28/litro. A pesquisa diária de derivados do Cepea indicou que os estoques de UHT e muçarela seguiram limitados, o que resultou em altas acumuladas de 11,7% e de 13,4% nas cotações, respectivamente.”

Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

CUSTO DE PRODUÇÃO DO LEITE SOBE EM MAIO

Ivan Barreto

“Por mais um mês, o Custo Operacional Efetivo (COE)

da pecuária leiteira registrou aumento. Na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), os desembolsos do produtor cresceram 0,48% em maio frente a abril e no acumulado de 2020, 4,05%. Os principais insumos que contribuíram para esse cenário foram suplementação mineral, com valorização de 2,14%, adubos e corretivos, 1,64%, e concentrado, de 0,79%.

Com a alta em maio, os preços de insumos de suplementação mineral subiram aproximadamente 4% em 2020, na “média Brasil”. Vale ressaltar que a desvalorização cambial do real frente ao dólar influencia no aumento dos custos da suplementação mineral e também dos fertilizantes. Considerando-se as médias mensais deste ano, a moeda norte americana se valorizou 37,13% em relação ao Real.

Outro grupo de insumos que elevou os custos foi o concentrado. Com o final da colheita da segunda safra de milho, as cotações do cereal recuaram, porém, como as casas agropecuárias trabalham com estoques correspondentes há 30 dias de comercialização, os preços do concentrado registraram alta de 0,79% em maio, acumulando alta de 8,50% no ano.

Apesar do recuo nas cotações do milho, o valor recebido pelo leite também diminuiu, fazendo com que a relação de troca se mantivesse estável na comparação mensal. Porém, na comparação anual, o cenário é diferente. Com o preço do cereal subindo quase 35% (valores corrigidos pelo IGP-DI) entre maio de 2019 e maio 2020 e o do leite caindo 14% (também em valores corrigidos), o poder de compra do produtor de leite diminuiu, passando de 23 litros por saca para mais de 36 litros por saca.”

 

AGROemDIA

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