Cooperativa e startup investem em sensoriamento e rastreabilidade da uva

Foto: Divulgacão

Um projeto desenvolvido pela agtech gaúcha Elysios Agricultura Inteligente pretende tornar o cultivo de uva no Rio Grande do Sul totalmente controlado e rastreado. A solução da empresa, que utiliza a Internet das Coisas (IoT) e Big Data, foi desenvolvido em parceria com a Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves.

A plataforma foi adaptada à cultura da uva para suprir necessidades de, por exemplo, assistência técnica e rastreabilidade. A ideia é que o produtor foque a sua energia e tempo nos cuidados do manejo da planta, enquanto a tecnologia faz o levantamento e controle, com segurança, das estimativas e variáveis da lavoura.

A solução desenvolvida pela startup – ou agtech, como são chamadas as startups do agro – foi criada por um grupo de ex-alunos da UFRGS, com foco inicial no setor de hortifruti e pode ser adaptada conforme a necessidade de cada cultura.

No caso dos produtores de uva, o objetivo é garantir a alta qualidade ao produto, por meio da rastreabilidade, controle de pragas e doenças, intempéries, entre outras situações que impactam a cadeia produtiva.

Dados precisos

Segundo o engenheiro agrônomo da Vinícola Aurora, Maurício Fugalli, em 2018, o volume de produção da cooperativa foi de aproximadamente 70 milhões de quilos de uva. A produção divide-se em 50 milhões de uvas americanas para sucos e vinhos comuns e outros 20 milhões para a produção de espumantes ou vinhos finos. Isso que em média resulta em 50 milhões de litros em produtos Aurora.

É neste panorama que surgem as demandas do negócio para o produtor, cooperativa ou para uma grande empresa que precisa gerenciar e controlar centenas de propriedades, garantindo previsibilidade de informações da safra. Neste sistema, ter acesso a dados precisos e de forma ágil é essencial para a indústria. É exatamente esta demanda que está sendo testada pelos agricultores da Vinícola Aurora, por meio do projeto da Elysios.

O engenheiro agrônomo da Vinícola lembra que uma das grandes virtudes da cooperativa é a sua magnitude. Com isso, o grande desafio é reunir os números para fazer a análise. “Por isso, é fundamental saber qual é a previsão de uva para esta safra, ou qual é o nosso foco de mercado, ou quantos anos vamos levar para virar ‘o navio’, caso seja preciso trocar a produção de suco de uva para espumante”, comenta Fugalli.

A expectativa do técnico, que compõe uma equipe de cinco engenheiros, é de que a tecnologia dê velocidade e precisão nestes dados, para que a tomada de decisões possa ser mais assertiva na cadeia produtiva.

Tomada de decisão

Fugalli assinala ainda que a safra de 2018 sofreu com temporais de granizo, que atingiram os parreirais da Serra gaúcha, destruindo 8 milhões de quilos de uva. No entanto, por meio da plataforma que está sendo testada, ele espera que possam obter uma estimativa de prejuízos em caso de confirmações da previsão de intempéries e levantamento de dados mais rápido e preciso.

“A vida no campo tem diversos riscos. Qualquer geada pode resultar em perdas na produção e lá se vão muitos milhões de quilos de uva. É este número que a gente precisa saber com mais exatidão para poder tomar a melhor decisão dentro da vinícola, especialmente no canal de produção e de comercialização da cooperativa. É nossa responsabilidade fazer isso: dar estimativas da produção”, enfatiza o técnico.

AGROemDIA

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