Antonio Galvan: Pressão sobre a Amazônia é ganância por mais lucros

Antonio Galvan, presidente da Aprosoja – Reprodução/Instagram/Aprosoja

João Carlos Rodrigues//Da redação AGROemDIA

Por trás da pressão de grupos internacionais e nacionais pela preservação da Amazônia, há grandes interesses financeiros, cujo objetivo é aumentar os lucros e frear o crescimento do Brasil, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Antonio Galvan. A atual ofensiva, ressalta, faz parte de uma orquestração de países e de empresas que tentam manter a hegemonia econômica a qualquer custo.    

“É um abuso o que alguns bancos, investidores e países europeus estão fazendo [com o Brasil]. Na verdade, o que querem é ganhar mais dinheiro. Não há preocupação ambiental nem com desmatamento”, enfatiza Galvan. A estratégia de focar na Amazônia, pontua, também visa a desvalorizar produtos brasileiros para poder comprá-los a preços mais baixos e faturar ainda mais logo adiante, quando comercializam para terceiros mercados.

Galvan questiona: “Quem vai ganhar se engessarmos a abertura de novas áreas justamente quando a população mundial continua crescendo e a demanda por alimentos também segue aumentando em países que tiveram melhoria econômica nos últimos anos?” Uma redução de área, acrescenta, diminuirá a oferta de comida, que ficará mais cara, prejudicando ainda mais os pobres, mas garantirá lucros maiores para quem já tem a hegemonia.

O presidente da Aprosoja assinala que a ofensiva sobre a Amazônia também está relacionada à criação de reserva de mercado para explorar futuramente riquezas que estão sob o solo da região. “Eles [investidores] sabem muito bem o que tem embaixo da terra brasileira, principalmente na Amazônia, onde há muitos minérios.” Segundo Galvan, esse movimento global é feito por famílias tradicionais de endinheirados que há 200 anos exploram o mundo.

Nunca vi investidor se interessar por algo que dê prejuízo. Eles sempre querem colocar dinheiro onde enxergam lucro, como a Amazônia”

Queimadas

Na avaliação do dirigente da Aprosoja, mesmo que houvesse uma suspensão definitiva das queimadas e dos desmatamentos na Amazônia, a pressão internacional não cessaria. “Logo apontariam problemas com os índios, depois com os quilombolas, em seguida com os ribeirinhos e mais adiante com as favelas. O que os europeus não querem é perder a hegemonia econômica do mundo.”

De acordo com ele, as queimadas envolvendo produtores rurais na maioria das vezes são acidentais. “São, na verdade, incêndios, provocados, por exemplo, por algum problema no rolamento de colheitadeiras na época de seca, principalmente em áreas de plantio de milho, cultura muito suscetível ao calor.”

Ele esclarece que as queimadas causam prejuízos incalculáveis em propriedades que estão em produção, principalmente na agricultura, depois que a terra está formada. “O fogo só é aliado do produtor, seja da pecuária ou da agricultura, no primeiro momento, quando a área é convertida à atividade agrícola, ou seja, na estruturação do solo para produzir matéria orgânica.”

Por isso, pontua Galvan, os incêndios na floresta não são benéficos para os produtores rurais, embora ocorram de forma acidental, especialmente na parte menos úmida da Amazônia. “Além disso, há as queimadas feitas pelos povos tradicionais – índios e quilombolas – para caçar e para outras atividades que sempre desenvolveram e não tinham consequências em lavouras ou pastagens.”

Essa situação, destaca Galvan, contribui para potencializar a pressão de grupos empresariais internacionais e nacionais sobre a Amazônia. “Usam isso como pano de fundo para tentar inviabilizar o crescimento do Brasil e tirar mais proveito. Nunca vi investidor se interessar por algo que dê prejuízo. Eles sempre querem colocar dinheiro onde enxergam lucro, como a Amazônia. O problema não é ambiental, é um movimento para ganhar mais dinheiro.”

 

AGROemDIA

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