Exportações do agro atingem recorde de US$ 52 bi no 1º semestre, diz Cepea

Foto: Ivan Bueno/APPA

A pandemia do coronavírus não afetou as exportações do agronegócio no primeiro semestre do ano. De janeiro a julho, o faturamento das vendas externas do setor totalizou US$ 52 bilhões, um recorde para o período e 11% acima do montante registrado no mesmo período de 2019. Em real, o faturamento cresceu 32% em igual comparação.

Os números foram divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que atribui esse resultado ao câmbio desvalorizado. Ainda de acordo com o Cepea, o volume exportado pelo setor no primeiro semestre teve alta de 16,5% frente ao mesmo período de 2019.

Pesquisadores do Cepea indicam que o bom desempenho do agro no primeiro semestre esteve atrelado aos aumentos nas vendas externas de algodão, açúcar, carnes (suína, bovina e de aves), dos produtos do complexo da soja (grão, óleo e farelo), etanol e celulose.

No caso do algodão, as vendas externas têm crescido mesmo com a pandemia, que está prejudicando as operações da indústria têxtil. No primeiro semestre deste ano, o volume de pluma exportado aumentou 64% frente ao mesmo período de 2019. Esse aumento é o mais expressivo entre os produtos exportados pelo agro.

Quanto ao setor sucroalcooleiro, no período, as vendas externas de açúcar cresceram 48% e as de etanol, 25%. Este resultado atenua as perdas do setor com as quedas das negociações de etanol no mercado brasileiro.

Destino

A China continua ampliando sua importância como principal parceira comercial do agronegócio brasileiro. No primeiro semestre, a participação do país asiático foi de quase 40% do faturamento total recebido pelo Brasil em dólares, seguida pelo grupo de países da Zona do Euro (14,5%) e dos Estados Unidos (5,9%).

2º semestre

A pandemia de coronavírus diminuiu o volume geral do comércio entre países. No entanto, o agronegócio brasileiro conseguiu sustentar um ritmo aquecido das vendas externas, já que é um fornecedor de alimentos, fibras e energia.

As vendas neste ano são favorecidas pela forte demanda chinesa, por problemas sanitários em alguns países produtores, pela necessidade de garantia de segurança alimentar e pela desvalorização do real frente ao dólar, que elevou a competitividade de produtos brasileiros.

Desse modo, há grandes chances deste cenário manter o agronegócio brasileiro registrando volume e o faturamento recordes no segundo semestre de 2020. Além disso, estão a favor do Brasil a moeda, a oferta de grãos recorde e também o recrudescimento da relação comercial entre China e Estados Unidos.

Veja relatório completo aqui.

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