Juiz gaúcho aposentado diverge de Mourão: “Onde não há racismo é nos quartéis”

Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado, ex-procurador da República e ex-oficial do Exército – Reprodução

Da redação//AGROemDIA

“Acho que o Mourão, ao dizer que não há racismo no Brasil, estava se referindo aos quartéis do Exército. Nos quartéis realmente não há racismo, porque as Forças Armadas são uma instituição democrática.” A observação é do advogado gaúcho, juiz aposentado, ex-procurador da República, ex-delegado da Polícia Civil do RS, ex-oficial paraquedista do Exército e militante do movimento negro Luiz Francisco Corrêa Barbosa.

Para ele, o vice-presidente da República e general da reserva do Exército certamente se baseou em sua longa convivência nos quartéis, “onde não há racismo”, ao falar sobre discriminação racial no país.

Mourão disse não haver racismo no Brasil na última sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, ao comentar o espancamento até a morte de um homem negro de 40 anos por dois seguranças de uma das filiais do Carrefour em Porto Alegre.

O crime ocorreu na noite da última quinta-feira (19), e foi filmado por pessoas que estavam no local. As imagens do espancamento do autônomo João Alberto Silveira Freitas causaram indignação Brasil afora e em outros país. Os dois autores do assassinato foram presos – um deles é policial militar temporário.

O Caso do Homem Errado

Barbosa assinala que a história brasileira é repleta de crimes que comprovam o racismo estrutural enraizado na sociedade.  Em 1987, lembra, um grupo de soldados e oficiais da Brigada Militar – a polícia militar do RS – executou o jovem negro Júlio César de Melo Pinto, ao confundi-lo com um ladrão, quando tentava prender um grupo de assaltantes que havia atacado um supermercado no bairro Partenon, em Porto Alegre.

A execução a tiros de Júlio César, jovem negro sem qualquer antecedente criminal, mobilizou o movimento negro gaúcho. Recentemente, o crime foi reconstituído pela cineasta gaúcha Camila Moraes, no premiado documentário O Caso do Homem Errado.

Barbosa foi um dos ativistas do movimento negro que estiveram à frente das manifestações que levaram o comando da BM, à época, a abrir um inquérito policial militar para investigar o crime. A apuração resultou na expulsão do grupo de PMs – entre eles dois oficiais. Eles também foram condenados pela Justiça Militar.

O juiz aposentado, dirigente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, deu um longo depoimento sobre a execução de Júlio César à cineasta Camila Moraes (clique aqui para assistir ao documentário O Caso do Homem Errado).

AGROemDIA

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