Agro 4.0: Aplicação de defensivos por drone reduz custos de produção em 45%

Foto: Joana Silva/Embrapa

Do Broadcast

A aplicação de defensivos por drones nas lavouras reduz em 45% os custos totais e em 80% os gastos com defensivos. Já em caso de tratamento de ervas daninhas, a economia em herbicidas chega a 65%, em função da aplicação dos produtos de forma localizada, com base em imagens de GPS.

Os números foram apresentados pelo CEO e fundador da empresa de serviços aéreos agrícolas Arpac, Eduardo Goerl, nessa terça-feira 24, ao participar de painel sobre tecnologia no segundo dia do Summit Agronegócio Estadão 2020.

Com o desenvolvimento customizado dos seus próprios drones e fabricação de grande parte deles na China, a Arpac oferece soluções com imagens de alta qualidade em escala milimétrica e os resultados agronômicos são positivos mesmo em terrenos acidentados, conforme Goerl.

Ele também afirmou que dependendo da característica de cada equipamento, a empresa customiza as funções para a realidade brasileira e desenvolve diferentes soluções de aplicação. “Para formicidas granulados, por exemplo, tínhamos de largar 20 gramas a 60 quilômetros por hora e a 20 metros de altura, sendo que eles não poderiam cair a menos que 10 centímetros um do outro”, exemplifica ele, dizendo que a tecnologia empregada garante essa precisão.

Com testes feitos em lavouras de milho, por exemplo, ele enumerou as vantagens dos drones: “Milho em pré-colheita já está bem alto e impossibilita a entrada de máquinas na área. Em áreas pequenas, não compensa usar aviões agrícolas para aplicar defensivos.” Assim, em testes feitos pela Arpac, com aplicação de fungicidas pré-pendoamento, houve ganho de 15,39 sacas por hectare. “As áreas-testemunha, onde não houve aplicação, colheram 15,39 sacas por hectare a menos do que as 197,87 sacas por hectare das áreas tratadas.”

Goerl comentou ainda que é uma tecnologia que pode ser acessada também por pequenos produtores, que ficam fora do mercado de aplicação por avião agrícola – que aplicam em áreas de no mínimo 20 hectares –, por exemplo. “Sem tecnologia de drones ou na impossibilidade de entrar com grandes máquinas na propriedade, pequenos produtores lançam mão dos ‘pragueiros’, que caminham pela lavoura e dizem qual aplicação deve ser feita naquele campo”, disse ele, acrescentando que mão de obra e investimento em equipamento ainda são problemas para produtores desse porte.

A empresa, que teve o primeiro ano de operação em 2018, optou por montar hubs de operação em vez de ter apenas uma base e viajar com os drones pelo País, conforme o fundador. Assim, da safra 2018/19 para a 2019/20, a Arpac criou hubs em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e no Rio Grande do Sul. Na safra 2020/21, chegaram a Rondônia, Tocantins e Minas Gerais. “Em 2020, em julho, começamos a operar nos Estados Unidos. Fizemos os primeiros voos dessa safra lá, em parceria com a Taranis, em lavouras de milho e soja em Indiana e Illinois”, contou Goerl, afirmando que a empresa voltará às lavouras norte-americanas em 2021.

O executivo disse, ainda, que “é consenso no mercado que o drone é complementar ao trabalho do avião, não substituto”. Segundo ele, cada equipamento é mais adequado para um determinado tipo de aplicação em determinada área. “O nosso entendimento é que pelos próximos 15 a 20 anos o drone ainda vai trabalhar lado a lado com o avião, porque apesar da eficiência do avião, existem regiões em que é difícil de sobrevoar e colocam a vida do piloto em risco”, afirmou Goerl.

 

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