Venda futura de arroz tem registro na Bolsa Brasileira de Mercadorias

Um trâmite muito comum no mercado da soja e de outros produtos agora já é realidade também no mercado nacional orizícola. Nas últimas semanas, a corretora Expoente, localizada no Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil, registrou em Bolsa contratos de venda futura do cereal. Até então, o travamento futuro no setor de arroz não existia no mercado. O preço travado refere-se à safra que será colhida a partir do próximo mês com entrega estimada entre os meses de fevereiro e abril deste ano e envolveu produtores e indústrias tradicionais no segmento arrozeiro.

A compra e venda futura contou com três diferentes respaldos. O primeiro deles foi efetuado pelo Sinag, o Sistema de Registro de Negócios Agrícolas da Bolsa Brasileira de Mercadorias. A exemplo do Sinap, que atende ao mercado do algodão há mais de uma década, o objetivo do dispositivo é oferecer segurança operacional aos vendedores e compradores. Todos os negócios com produtos de origem agrícola, formalizados por meio de contrato de compra e venda em operações à vista, a prazo ou a termo, intermediados por corretoras associadas, podem ser registrados na Bolsa hoje.

Com o travamento de preço, o produtor consegue planejar melhor o plantio da próxima safra, decidindo de forma mais assertiva o tamanho da área que será plantada, assim como também consegue programar melhor a compra de insumos. Segundo o diretor da Expoente, Jair Almeida da Silva, este era um sonho antigo do setor. “É um ganho importantíssimo para todas as partes”, resumiu o corretor que é também produtor de arroz no estado gaúcho.

O segundo respaldo oferecido pela operação é de que os contratos registrados na BBM contam com a amparo da Câmara Arbitral para resolver qualquer possível conflito entre as partes, o que é feito por meio de um quadro de árbitros experientes no segmento do agronegócio. Até hoje, a Câmara Arbitral da BBM conseguiu resolver 100% dos casos que chegaram até ela, sem precisar recorrer à justiça comum, conhecida por sua morosidade.

Para completar o ciclo, o contrato foi assinado digitalmente entre as partes, ou seja, não houve necessidade de deslocamento e de idas ao cartório. “Foi muito positivo pois estávamos em pleno período de plantio de safra e o produtor não precisou sair da lavoura para assinar e reconhecer firma, o que é ainda mais importante em tempos de pandemia”, declarou o outro sócio da corretora, Guilherme Gadret da Silva.

A Expoente é uma das mais de 140 corretoras associadas à Bolsa Brasileira de Mercadorias. Além deste volume, a corretora gaúcha espera registrar novos contratos de arroz no mercado futuro já nos próximos dias. “Historicamente, faz-se um contrato de papel que precisa circular entre corretor, comprador e vendedor, depois, este papel vai para o cartório e o documento volta para as partes. Corretor e produtor podem estar em cidades diferentes e isso gera um custo grande em tempo e em recursos financeiros. Com a assinatura digital, nada disso foi necessário”, comemorou Jair.

Em maio de 2020, a BBM registrou também o primeiro contrato de feijão e de gergelim da história. A operação foi realizada pela Correpar Corretora. Esta prática deve se tornar cada vez mais comum em diferentes mercados. O fato de produtores e compradores já possuírem um e-CPF em seu nome, corrobora com este cenário. “Esperamos que essa nossa iniciativa traga novos frutos para o nosso futuro e para outros produtores e indústrias no que diz respeito à facilidade dos negócios”, completou Jair.

*Da Bolsa Brasileira de Mercadorias

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