Abertura da Colheita do Arroz: “Produtor precisa se reinventar da porteira para dentro”

Foto: Divulgação

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) não acredita mais no modelo da monocultura. A afirmação foi feita pelo presidente da entidade, Alexandre Velho, nesta terça-feira 9, ao destacar o tema da 31ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, “Os Novos Rumos do Sistema de Produção”, que iniciou sua programação na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). O evento é uma realização da Federarroz, correalização da Embrapa e patrocínio premium do Irga e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Em sua participação no evento, que segue até quinta-feira 11, em formato on-line e presencial, Alexandre Velho enfatizou que o produtor rural precisa se reinventar e prestar atenção aqueles que estão obtendo sucesso. “O protagonismo que temos na produção de arroz nos traz uma responsabilidade muito grande perante o estado [do Rio Grande do Sul] e o Brasil. Em tempos de pandemia, acabamos por garantir no ano de 2020 a segurança alimentar nacional. A lavoura de arroz tem uma responsabilidade muito grande. São mais de 200 municípios que dependem economicamente da cultura do arroz, e a Federarroz não acredita mais somente na lavoura de arroz, somente na monocultura.” Segundo ele, a maioria dos problemas estão dentro da porteira.

O presidente da Embrapa, Celso Luiz Moretti, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se manifestaram virtualmente neste primeiro dia do evento. Moretti ressaltou que o tema escolhido para nortear os debates não poderia ser mais contemporâneo. Já a ministra declarou que está trabalhando na proposta do Plano Safra 2021/2022 com o objetivo de levar mais crédito a todos os orizicultores, além de instrumentos privados, aproveitando o atual cenário para disponibilizar mais recursos ao setor.

A ministra ressaltou ainda a importância da abertura do México para o arroz nacional e o desenvolvimento de novos instrumentos para melhorar mais a participação de mercados de capitais no setor, com o objetivo de ampliar as ferramentas de crédito aos produtores rurais. “O Ministério da Agricultura tem trabalhado todos os dias para responder as demandas dos orizicultores. Agradeço imensamente a homenagem que vocês me fizeram com a Pá de Arroz, símbolo do trabalho dos arrozeiros.”

Também de forma on-line, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja (Londrina/PR), Décio Luiz Gazzoni, ministrou a palestra “Os novos Rumos da Agricultura Brasileira e Mundial”. Para ele, a segurança dos alimentos e a forma como será tratada essa questão do ponto de vista biológico, químico e físico, mais a temática ambiental e social relacionada à produção agrícola, deverão ganhar cada vez mais atenção.

Antes do início dos painéis, o auditório principal na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, foi inaugurado e batizado de Frederico Costa. A homenagem póstuma foi realizada em virtude da liderança que o então produtor rio-grandino exerceu no setor. Costa, que faleceu no ano passado, aos 56 anos, foi diretor de Mercado Externo da Federarroz e também atuou como conselheiro no Irga.

A homenagem foi acompanhada por parentes, como o filho Artur Anselmi Costa e a esposa Luciana Duarte da Silva, além de irmãs e mãe, entre outros familiares. Na inauguração, o diretor da Farsul, conselheiro do Irga e presidente do Sindicato Rural de Pelotas, Fernando Rechsteiner, fez uma manifestação emocionada sobre o homenageado:

“Frederico foi um produtor que se doou para a classe. Deixava as questões particulares, privadas ao largo das questões coletivas. Tinha um senso de classe muito forte, conhecia como poucos a lavoura. Era um visionário que enxergava o futuro, que rumo tínhamos que tomar nos nossos negócios. Perdemos o Frederico muito cedo, eu não tenho dúvidas que ele tinha muito ainda a contribuir com os amigos, a família. Ele faz muita falta como amigo, como colega, como filho, como irmão, como pai, mas deixou um legado e teve sucesso na parte que lhe cabia nos negócios e em relação à família.”

 

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