Agronegócio, o Brasil de cabeça erguida no cenário mundial

Tito Matos*

No dia 22 de abril próximo (data em que os portugueses aqui chegaram), o Brasil tem todas as condições de se apresentar de cabeça erguida e nariz empinado na Cúpula da Terra (Earth Summit), encontro de líderes sobre as mudanças climáticas, que ocorrerá em Washington com a presença do presidente dos EUA, Joe Baden. É possível que o presidente Bolsonaro se encoraje e dela participe.  Comemora-se nesta data o Dia da Terra, uma boa oportunidade para o agronegócio brasileiro mostrar ao mundo sua relevante contribuição à preservação ambiental, mesmo com o espantoso crescimento, a cada safra, da sua produção de alimentos.

Na área da produção agrícola e de produtividade, nenhum outro país do planeta compete atualmente com o Brasil. Vejam aqui os números levantados pela Conab, portanto, merecedores de fé pública: há 45 anos (safra 76/77), os nossos produtores plantavam 37,3 milhões de hectares e colhiam 46,9 milhões de toneladas de grãos, com uma produtividade de 1.258 kg/ha. Na temporada atual (safra 20/21), foram plantados 68,3 milhões de hectares e devem ser colhidas 272,3 milhões de toneladas de grãos com um rendimento médio de 3.989 kg/ha. Nestas quatro décadas e meia, enquanto a área plantada cresceu apenas 83%, a produção aumentou 480%. A produtividade registrou crescimento de 217%.

Se fosse mantida a mesma produtividade do início da série histórica elaborada pela Conab, ou seja, 76/77, nossa produção seria hoje de somente 85,9 milhões de toneladas de grãos, um aumento de apenas 83%. Neste contexto, é importante frisar: 148,2 milhões de hectares, que poderiam ser destinados à produção de grãos, foram poupados no período. Este êxito do agronegócio brasileiro é fruto de tecnologia aplicada ao campo. Aliás, a melhor tecnologia tropical do planeta, desenvolvida pela Embrapa e outras instituições de pesquisa pública e privada, e hoje em dia copiada por países de clima semelhante, aliada à disposição e a competência dos produtores brasileiros.

Não é milagre, é dedicação, é suor, é muito trabalho. Nenhum outro país do planeta, repito, apresentou performance tão extraordinária quanto o Brasil no desenvolvimento de uma agricultura com sustentabilidade. No ritmo que em que estamos indo, em pouco tempo tomaremos o lugar cativo dos Estados Unidos como produtor agrícola. Vamos superá-los tanto em produção como em exportação de grãos. Tal fato anda assustando todos os nossos concorrentes; daí os financiamentos a certas Ongs para mundo afora nos perseguir e a nos acusar de destruidores do meio ambiente. Essa gente esconde uma importante informação: desde o nosso descobrimento, há 521 anos, ainda preservamos 65% das nossas matas nativas (dados da Embrapa).

Essas matas nativas estão tais quais Cabral as encontrou por aqui. Assim, o Brasil é de longe o país que mais protege o seu território em termos de preservação ambiental. Outro motivo que está deixando nossos concorrentes com a pulga atrás da orelha e de cabelo em pé são as projeções confiáveis do pesquisador da Embrapa Elisio Contini, que nos revelam que daqui a 30 anos, safra 2049/2050, chegaremos a 500 milhões de toneladas de grãos. Ninguém duvida. Perspectivas tão animadoras realmente incomodam muita gente. Quem nos segurará?

Quando, em 1999/2000, ultrapassamos a barreira dos 100 milhões de toneladas de grãos, o ministro da época, Francisco Turra, comemorou o feito e disse que o Brasil em pouco tempo triplicaria a sua produção agrícola sem necessidade de derrubar um pau da floresta amazônica para o plantio. Ele estava certo. Foi aquela colheita que começou a deixar os nossos concorrentes inquietos, a deslustrar nosso êxito e a colocar barreiras em nossas exportações agrícolas. Pratini de Moraes reforçou a tese de que eles, os concorrentes, “querem nos condenar por sermos eficientes e competitivos; não aceitam que tomaremos seus espaços no comércio internacional, daí a nos impor barreiras técnicas e sanitárias. Eles não perdem por esperar, embora não tenhamos condições de brigar com os subsídios do tesouro de Tóquio, Bruxelas e de Washington”, dizia. É o que está acontecendo. Hoje exportamos para mais de 200 mercados.

Roberto Rodrigues foi outro ministro a condenar essas barreiras e a defender o aumento da produção de alimentos para combater a fome aqui e alhures.  “O mundo precisa do Brasil para se alimentar”, enfatiza até hoje. Como o Pentágono incluirá a mudança climática em suas simulações de conflitos na Cúpula da Terra, tal fato nos faz lembrar o que já dizia Roberto Rodrigues sobre os dois cavalheiros apocalípticos que cavalgam juntos mundo afora: o crescimento da exclusão social e a concentração da riqueza, que distanciam cada vez mais a preservação da democracia e a paz mundial.

O ex-ministro Luis Carlos Guedes Pinto foi também um contunde crítico das pressões da União Europeia sobre o agronegócio brasileiro: “Depois de desmatarem suas florestas, não nos venham os europeus nos dar lição de preservação ambiental para encobrir sua política protecionista”. Neste sentido, ele encomendou à Embrapa um estudo sobre o tema, cujos dados Guedes Pinto sabia de cor e salteado e os citava em suas palestras e entrevistas para mostrar que produção e preservação no Brasil não são excludentes.

Citei aqui a posição desses quatro ministros da Agricultura porque trabalhei com todos eles como assessor de imprensa e acompanhei diversas vezes suas conferências, suas entrevistas, suas visitas em feiras e agrishows por este Brasil adentro, quando defendiam com entusiasmo o fortalecimento do agronegócio brasileiro. Os agricultores, que estão levando o Brasil a ser o celeiro do mundo, acreditaram e fizeram do segmento produtivo rural o setor mais exitoso da nossa economia, responsável por 26% do PIB, 48% das exportações e 30% dos empregos. Portanto, eles merecem todos os nossos louvores, nossa simpatia; pena que não são reconhecidos por certas parcelas da sociedade consumidora de alimentos de qualidade por este notável sucesso.

*Jornalista, ex-assessor de imprensa do Mapa, da FPA, da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, da Conab e da extinta CFP

 

 

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