Sempre aos Domingos: Canto dos Livres – Cenair Maicá
Um dos quatro ícones da música missioneira gaúcha, Cenair Maicá usou a voz e o talento para cantar a sua terra e a sua gente, notadamente o homem rural e as agruras do seu dia a dia, sempre preocupado em fazer da arte um instrumento de transformação social.
Neste domingo, o AGROemDIA revisita a discografia de Cenair Maicá (1947-1989). Em Canto dos Livres, esse gaúcho de Tucunduva eleva ao altar o próprio ato de cantar.
Junto com Jaime Caetano Brau, Pedro Ortaça e Noel Guarany, Cenair Maicá foi um dos responsáveis por resgatar a importância histórica e cultural da Região das Missões para o Rio Grande do Sul e o Brasil.
Clique aqui para ler mais sobre a vida e a obra do cantor e instrumentista Cenair Maicá.
Canto Dos Livres
Cenair Maicá
Se meu destino é cantar, eu canto
Meu mundo é mais que chorar, não choro
A vida é mais do que pranto, é um sonho
Com matizes sonoros
Hay os que cantam desditas de amores
Por conveniência agradando os senhores
Mas os que vivem a cantar sem patrão
Tocam nas cordas do seu coração
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer
Quisera um dia cantar com o povo
Um canto simples de amor e verdade
Que não falasse em misérias nem guerras
Nem precisasse clamar liberdade
No cantar de quem é livre
Hay melodias de paz
Horizontes de ternura
Nesta poesia de andar
Quisera ter a alegria dos pássaros
Na sinfonia do alvorecer
De cantar para anunciar quando vem chuva
E avisar que já vai anoitecer
E ao chegar a primavera com as flores
Cantar um hino de paz e beleza
Longe da prisão dos homens e da fome
Prá nunca cantar tristeza
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer

