Poder de compra do produtor de leite frente ao milho é o pior em 10 anos

Foto: Gabriel Faria/Embrapa

O poder de compra do produtor de leite frente ao milho é o mais desfavorável em 10 anos, de acordo com o Boletim do Leite de Abril do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. “As consecutivas valorizações do milho neste ano – cereal que é negociado a preço recorde real – têm criado um cenário de alerta ao produtor leiteiro, que já enfrenta três meses de queda na receita – no primeiro trimestre, o valor do leite pago ao produto caiu quase 10%”, pontua o Cepea.

Segundo o analista Rodolfo Jordão, da Equipe Leite do Cepea, em março, o pecuarista leiteiro precisou de 47,21 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 kg de milho, 11,93% a mais que em fevereiro. “Foi, também, o terceiro mês consecutivo de piora na relação de troca e o momento mais desfavorável ao produtor leiteiro desde janeiro de 2011”, assinala.

Ainda conforme levantamento da Equipe Grãos/Cepea, preocupados com os possíveis impactos do clima sobre a produção da segunda safra, produtores de milho estão limitando as vendas no spot nacional.

Em março, observa o Cepea, o cereal (Indicador ESALQ/BM&FBovespa) teve média de R$ 91,51/saca de 60 kg, avanço de 9,08% em relação à de fevereiro/21 e um recorde da série histórica do Cepea, iniciada em 2004.

Custo Operacional Efetivo

Com alta de 1,86% em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira fechou o primeiro trimestre de 2021 com elevação acumulada de 7,24%, considerando-se a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), acrescenta o Cepea.

“Pelo segundo mês seguido, os fatores que mais influenciaram o avanço dos custos foram os adubos e corretivos, que se valorizaram expressivos 12,86% em março – superando, portanto, a já intensa alta registrada em fevereiro, de 6,02%. Diante disso, o aumento nos valores dos adubos e corretivos na parcial de 2021 (até março) é de significativos 21,32%”, assinala Rodolfo Jordão.

O movimento de elevação nos preços dos adubos e corretivos, por sua vez, se deve aos altos valores pagos para aquisição de matéria-prima para a fabricação destes insumos, tendo em vista o dólar bastante valorizado frente ao real, sublinha o analista do Cepea. “No primeiro trimestre, a moeda norte-americana registrou valorização de 7,85%. Além disso, ao aumento dos preços de frete – devido à forte demanda para o escoamento da safra de grãos – também encarece os custos de transportes de fertilizantes, influenciando as cotações dos adubos e corretivos.”

 

 

AGROemDIA

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